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Somente na Europa, mais de 500 mil vagas permaneceram abertas em 2025; Brasil também aparece entre os países com maior falta de motoristas de caminhão
Antes restrita há apenas alguns países em anos anteriores, a crescente falta de motoristas profissionais, especialmente caminhoneiros, tem se tornado agora um grave e significativo problema global. É o que aponta o novo relatório global da The International Road Transport Union (IRU)
De acordo com o levantamento em realizado em 18 mercados, incluindo a Europa, Austrália, Brasil, China, México e Uzbequistão, a escassez de mão no transporte encerrou o ano de 2025 atingindo patamares recordes. Prova disso são as cerca de 2,9 milhões de vagas em aberto no último ano, o que representa 11% da força de trabalho dos mercados analisados.
Os números divulgados pela IRU também revelam que a Europa ocupa uma posição de destaque na escassez de motoristas em todo o mundo. Somente no velho continente, 502.000 vagas para motoristas de caminhão permaneceram em aberto no último ano, o que corresponde a 13% do total registrado em todo o mundo. Já no Brasil, mais de 300 mil vagas para motoristas de caminhões não foram preenchidas em 2025, segundo a IRU.
Atualmente, cerca de dois terços das empresas de transporte europeias relatam recusar novos contratos por não conseguirem encontrar motoristas suficientes, sendo que 65% delas classificam a escassez de motoristas como a maior preocupação. Isso representa quatro vezes mais do que qualquer outro problema.
“Apesar dos esforços significativos da indústria, a escassez de motoristas se agravou, tornando-se um problema estrutural crítico para o setor de transporte rodoviário. O recrutamento de motoristas afeta diretamente a capacidade de transporte, o crescimento dos negócios e a confiabilidade da cadeia de suprimentos”, afirma Umberto de Pretto, secretário-geral da IRU.
Envelhecimento da força de trabalho e desinteresse dos mais jovens
A escassez de motoristas em todo o mundo tem sido agravada principalmente pelo envelhecimento da atual força de trabalho e o crescente desinteresse das mulheres e dos mais jovens em seguir a profissão. Na Europa, estima-se que cerca de 660.500 motoristas se aposentem até 2030.
Já as mulheres e os jovens continuam cada vez mais distantes da profissão. Hoje a força feminina representa apenas cerca de 4% dos motoristas de caminhão na Europa, apesar das evidências de que tendem a ingressar na profissão mais jovens do que os homens.
Em paralelo, os salários mais altos por si só já não são suficientes para atrair ou reter motoristas. Condições dos caminhões, estacionamento seguro, tempo em casa, horários previsíveis e equilíbrio entre vida profissional e pessoal são fatores que da vez mais tem afastado homens e mulheres da profissão de motorista, especialmente das operações de transporte de longa distância.
Para a IRU, o investimento em treinamento, a melhoria das instalações e a modernização da imagem da profissão poderiam abrir o acesso a um grupo muito maior de potenciais motoristas. “A IRU apela a uma ação coordenada entre governos e indústria. A escassez não pode ser resolvida apenas com campanhas de recrutamento”, afirmou Umberto de Pretto. “O setor precisa melhorar a qualidade do trabalho e fazer da condução profissional uma carreira na qual as pessoas possam ingressar, se desenvolver e permanecer.”
