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Falta de motoristas já deixa caminhões parados no Brasil

Caminhões Scania com carretas cegonhas em pátio
Gemini

Escassez de mão de obra já pressiona operações em todo o País, inclusive de transporte de veículos; Setor cegonheiro avalia criação de Escola de Motoristas para reverter o cenário

A crescente escassez de mão de obra já uma realidade incontestável no transporte rodoviário de cargas brasileiro e já afeta diretamente a rotina de transportadoras em diferentes regiões do país. De acordo com os dados mais recentes apurados pela NTC&Logística, 88% das empresas já enfrentam dificuldades para contratar motoristas e agregados.


O cenário preocupante é agravado pelo envelhecimento da atual força de trabalho do setor e pela queda no número de motoristas habilitados nas categorias C, D e E. Segundo os números mais recentes da Secretaria Nacional de Trânsito (SENATRAN), somente nos últimos 10 anos, o país perdeu 1,1 milhão de motoristas profissionais.



O resultado? Operações diretamente impactadas, inclusive em setores que até então eram o desejo de muitos motoristas, como o de transporte de veículos. Para o Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), que reúne mais de 5 mil trabalhadores especializados no transporte de veículos zero quilômetro em todo o país, o problema já deixou de atingir apenas a contratação e começa a pressionar as operações.

 
Antes, caminhão parado normalmente era sinal de mercado fraco. Hoje, muitas vezes, falta motorista para colocar o veículo na estrada. O setor envelheceu e a renovação não aconteceu na mesma velocidade. Muita gente nova simplesmente não quer mais essa rotina”, afirma o presidente do Sinaceg, José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho.


Além das jornadas longas e do desgaste nas estradas, empresas também enfrentam resistência ao modelo atual de monitoramento embarcado nos caminhões, com câmeras internas, rastreamento e acompanhamento em tempo real das viagens.
 
Para o diretor regional do Sinaceg, Márcio Galdino, parte dos profissionais passou a ver a atividade como excessivamente controlada. “O caminhoneiro sempre trabalhou sob pressão, mas a sensação hoje é diferente. Tem motorista que passa o dia inteiro sendo monitorado dentro da cabine. Isso pesa, principalmente porque cria um clima de tensão. Ao mesmo tempo, quem está chegando encontra pouca atratividade na profissão”, diz.

Diante do atual cenário e na tentativa de evitar que a escassez de profissionais afete ainda mais a logística e o abastecimento no país, o Sinaceg estuda agora a criação de uma escola de motoristas de caminhões, projeto que tem tomado a atenção da Diretoria da entidade.



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