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Tecnologia da PRF para detectar ARLA 32 adulterado em caminhões ganha destaque internacional

PRF/Divulgação

Batizada de Arla Teste, tecnologia é capaz de detectar adulterações no ARLA 32 em apenas 5 segundos; solução teve a fórmula aberta e poderá ser utilizada em todo mundo a partir de agora

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De acordo com a Resolução nº 666 do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) e com o Art nº 20 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), uma das atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF) é a fiscalização do nível de emissão de poluentes e ruído produzidos pelos veículos automotores ou pela respectiva carga transportada.


Pensando na poluição do ar atmosférico e com o objetivo de tornar as ações fiscalização realmente eficazes, os policiais rodoviários federais Wilton Filgueiras de Paula e Paulo Henrique Demarchi desenvolveram o Arla Teste. Com uma eficácia de 100%, o composto é capaz de verificar de forma instantanea se os veículos a diesel que trafegam nas estradas brasileiras estão usando corretamente o agente redutor de poluentes, o ARLA 32 – substância que transforma parte da fumaça tóxica produzida pela queima de diesel em vapor d’água. Das estradas brasileiras, o Arla Teste ganhou o mundo. O trabalho de Paulo Demarchi e Wilton Filgueiras foi apresentado no Seminário Internacional de Engenharia Automotiva e a fórmula foi aberta, podendo ser usada em todo o planeta, beneficiando, acima de tudo, o meio ambiente.


O desenvolvimento dessa tecnologia permitiu diminuir a concentração de gás carbônico na atmosfera decorrente da queima de combustíveis fósseis. A solução encontrada pelos dois instrutores de Fiscalização Ambiental da Polícia Rodoviária Federal é prática, ecológica e inibe a falsificação. Com quase 20 anos de experiência na PRF, Wilton Filgueiras, químico, biólogo e especialista em Engenharia Ambiental e Riscos Químicos, pediu aos superiores autorização para desenvolver o ARLA Teste em um laboratório de Belo Horizonte (MG). 

Enquanto isso, o colega de São Paulo, Paulo Demarchi, buscava outros laboratórios para fazer os ensaios. O impulso maior ao projeto da dupla ocorreu com a aceitação da Petrobras em testar o produto no reconhecido laboratório, Falcão Bauer. Depois disso, outras empresas fizeram o mesmo, como Comex e Shell, e emitiram laudos, todos favoráveis ao novo produto.

Filgueiras e Demarchi fazem parte do Grupo de Enfrentamento aos Crimes Ambientais – Gecram. Após regulamentar e oficializar a utilização do produto, com a resolução 666/2017 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), bastaram 90 dias para que ele começasse a ser aplicado. Com isso, a PRF tornou-se uma referência em fiscalização de emissões veiculares. A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), uma das empresas que adotou o Arla Teste em fiscalizações, registrou, só no último ano, 13% dos veículos com adulteração do Arla 32. Wilton Filgueiras ressalta que a PRF confiou na ideia, conhecendo a carência do mercado, e colheu benefícios nos setores da saúde, social e ambiental. 


Entre um curso e outro e o trabalho na PRF, ele contou que a ideia da pesquisa partiu porque os policiais encontravam, cada vez mais, vários caminhões com o Arla 32 adulterado. Segundo o policial, antes, a fiscalização era demorada e cara. Se houvesse suspeitas que o veículo estava com produto adulterado, era necessário recolher amostra, mandar para um laboratório, pagar R$ 850,00 e esperar 12 dias pelo resultado. Durante este período, o caminhão continuava rodando pelo país e emitindo gases poluentes acima do permitido. Já com o Arla Teste sendo empregado diariamente, tempo e recursos foram otimizados: são necessários apenas cinco segundos para saber se o Arla 32 é falso ou não.

Paulo Demarchi conta que o ARLA Teste não é o primeiro produto desenvolvido pela PRF na área ambiental, mas é um dos mais importantes. O grupo em que o policila atual também já desenvolveu manuais operacionais em fiscalização rodoviária, fiscalização de minérios, produtos florestais, fauna e pesca, sempre preocupados com o meio ambiente. Já o PRF Wilton explica que já foram criadas várias tecnologias, como o processo de fiscalização do Arla, e que o grupo auxilia no desenvolvimento de equipamentos de fiscalização junto a muitas empresas de eletrônicos. 

Atualmente, os dois policiais rodoviários federais e também ambientalistas concentram esforços no desenvolvimento de um novo teste colorimétrico para inovar na fiscalização ambiental da corporação. Como o projeto ainda está em sigilo, detalhes não podem ser revelados, mas segundo os agentes da PRF, a novidade será tão inovadora quanto o Arla Teste.


ARLA 32
O composto ARLA 32 é a abreviação do Agente Redutor Líquido Automotivo, usado para o controle da emissão de óxidos de nitrogênio (NOx) nos gases de escapamento dos veículos com motores a diesel equipados com sistemas de Redução Catalítica Seletiva (SCR – Selective Catalytic Reduction).

A utilização de ARLA 32 em desconformidade com as especificações ou a utilização de dispositivos ilegais aumenta a emissão de poluentes e causa danos ao veículo. O direito a um meio ambiente seguro e equilibrado faz parte do conjunto de garantias que a própria Constituição Federal oferece a seus cidadãos.

Pela atual legislação, "Causar poluição de qualquer natureza, resultante em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora" é considerado um crime ambiental.

Com informações: PRF
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