Que força é necessária para rebocar um caminhão?

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Essa é uma pergunta frequente, especialmente nas operações rurais. Embora seja uma situação corriqueira, rebocar veículos atolados ou com dificuldades em rampas representa sempre riscos elevados:

- Na operação manual para acoplamento do dispositivo de tracionamento (corrente, cambão, cabo de aço ou cinta): o operador fica entre dois veículos pesados e, algumas vezes, com o rebocador em movimento para permitir o encaixe. Há riscos desde ferimentos nas mãos até de atropelamento ou esmagamento pelos veículos;

- No tracionamento há também o risco de danos, especialmente no caminhão encalhado, se a operação não for executada corretamente;

- Há ainda risco de rompimento do dispositivo de tracionamento (chamado de “rebote” na corrente ou “chicote” no cabo de aço) com consequências desde avarias nos veículos até ferimentos graves nas pessoas próximas ou dentro dos veículos.

- Após a operação de reboque, novamente há o risco para o operador que fará o desacoplamento do dispositivo entre os veículos.

Por isso essa é uma operação que deve ser observada e controlada com lupa!

Calcular a força necessária para ajudar um conjunto que não consegue vencer uma rampa é relativamente fácil: basta saber o peso bruto do veículo, a inclinação da rampa e o tipo de terreno (e sua Resistência ao Rolamento – Rr e seu Coeficiente de Atrito). Com esses dados é possível calcular a força necessária na barra de tração do trator que auxiliará o conjunto na rampa.


Considerando que o caminhão também ajudará no aclive é importante saber que existe um ângulo máximo que limita o funcionamento seguro do motor. A partir desse ângulo, a lubrificação do motor do caminhão ficará comprometida e haverá superaquecimento, com perda de potência e até danos definitivos.

Mas quando estamos falando de desatolar um conjunto a análise complica e muito!

Os riscos são os mesmos, mas para a análise aparecem outras variáveis complexas e desconhecidas. Há pouca literatura para responder à pergunta: “qual a força para rebocar esse caminhão?”. Vários fatores devem ser considerados nesse caso:

1 - O peso bruto total (PBTC) do veículo atolado;

2 - O tipo de terreno e sua resistência ao rolamento;

3 – Se o caminhão está com avarias, com os eixos travados ou se ajudará na tração;

4 - A inclinação do terreno onde estiver atolado: no plano, em um aclive ou em um declive. A inclinação aumenta a força necessária no aclive, na proporção do PBTC x seno do ângulo da rampa;

5 – E ainda a proporção de “o quanto está atolado”: a) se até os pneus, b) se até as rodas e eixos ou ainda c) se até o chassi.


Muitas variáveis sem controle complicam a análise matemática e exigem conhecimento das boas práticas e muita experiência nessa operação.

Na média as forças podem variar entre 1 e 3 vezes o PBTC do conjunto para a retirada de atoleiros. Por isso, os dispositivos de tracionamento devem ter resistência mecânica compatível com essas condições.

Uma forma de responder à pergunta é instrumentar essas operações, medir as forças e calibrar os dispositivos.

Para segurança da operação tenha um procedimento detalhado e consulte os fabricantes dos veículos e dos dispositivos de tracionamento quanto aos limites e a especificação correta para a sua situação.

Fica a dica!

ARTIGO: Eng. Rubem Penteado de Melo

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