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Impacto do preço do diesel no transporte rodoviário

Edilson Dantas/ Jornal O Globo
Um assunto que vem sendo muito presente na rotina das transportadoras em Santos e em todo o Brasil é sobre os sucessivos reajustes do preço dos combustíveis.

Em todo o território nacional, assim como as pessoas que utilizam carros de passeio no dia a dia puderam notar o aumento no preço da gasolina e do etanol, as transportadoras sentiram o aumento no preço do diesel, combustível utilizado nos caminhões.

Com isso, ocorre um desequilíbrio entre custos considerados no momento de confecção da proposta comercial e os custos reais praticados semanas (ou meses) depois, no ato da realização do transporte do container.

Dado que estamos num mercado tão competitivo e com margens tão apertadas, em que cada container conta e faz diferença no resultado final da transportadora, como externar a situação ao cliente e repassar esse custo, mantendo saudável a parte financeira da operação e da transportadora?

Antes de mais nada, é preciso ser transparente.

O assunto está presente no noticiário, sendo um tema com o qual as empresas já tiveram algum contato. Portanto, é importante mostrar FATOS ao cliente, como os cálculos necessários para composição do custo final do transporte.

Neste artigo, buscamos mostrar, por A + B, e com base na nossa experiência como transportadora no porto de Santos desde 2016, como os sucessivos aumentos no preço do diesel impactaram, na ponta, o custo no transporte de containers.

REPRESENTATIVIDADE DO PREÇO DO DIESEL NA COMPOSIÇÃO DO CUSTO DO TRANSPORTE
Estudos indicam que o preço do diesel representa aproximadamente 35% do custo do transporte rodoviário. Sendo assim, o diesel é um dos principais influenciadores no valor do frete (para uma transportadora em Santos, que precisa subir a serra do mar com mais de 20 toneladas sobre o caminhão, a representatividade do diesel na composição do custo de frete é ainda maior).

De acordo com o site da ANP1, de maio/2020 a março/2021, o preço do litro da gasolina subiu 44%, indo de R$ 3,818/L para R$ 5,484/L, enquanto o do diesel aumentou 40%, de R$ 3,037/L para R$ 4,252/L.


SIMULAÇÃO – TRANSPORTE DE CONTAINER ENTRE O PORTO DE SANTOS E A CIDADE DE SÃO PAULO
Para simularmos o impacto do aumento do diesel no preço final do transporte de container, façamos uma conta de trás para frente.

Se uma transportadora em Santos cobrava R$ 2.000,00 + 0,10% ad valoren + ICMS num frete para São Paulo, significa que 35% desse valor era de diesel. Ou seja, em maio/2020 o custo de diesel num transporte de container para São Paulo era de R$ 700,00.


Como vimos na tabela da ANP, de maio/2020 até março/2021 o custo do diesel aumentou 40%. No caso de São Paulo, isso resultou num aumento de 40% x R$ 700,00 = R$ 280,00. Logo, no frete para São Paulo, o custo do diesel no frete passou para R$ 980,00.


Considerando que os demais custos de transporte permaneceram os mesmos durante esse período (peças e manutenção, salário de motoristas, veículos novos, pedágios, etc), o frete peso no transporte de containers entre o porto de Santos e a cidade de São Paulo teve um aumento de R$ 280,00, passando a custar R$ 2.280,00 + ad valoren + ICMS, resultando num aumento de 14% no frete.


Se achamos R$ 280,00 um grande aumento, este acréscimo será ainda maior em viagens de longa distância.


SIMULAÇÃO – TRANSPORTE DE CONTAINER ENTRE O PORTO DE SANTOS E A CIDADE DE SÃO PAULO
Para ilustrar a variação do impacto do aumento do diesel no custo final do transporte rodoviário em rotas de longa distância, vamos fazer o mesmo estudo para transporte de containers entre o porto de Santos e a cidade de Brasília/DF.

Na média, em 2020, as transportadoras em Santos cobravam em torno de R$ 10.400,00 + 0,15% ad valoren inter-estadual + ICMS para esse serviço.


No caso de Brasília/DF, os sucessivos reajustes de diesel geraram um aumento no custo, somente de diesel, de R$ 1.456,00. Dessa forma, o frete está girando em torno de R$ 11.856,00 + ad valoren + ICMS.

Alto, não é mesmo? Mas, como mostrado através dos números, realmente são valores que fazem sentido (e impactam fortemente na composição dos custos de transportadoras em Santos e em todo o Brasil).

IMPACTOS DO AUMENTO DO PREÇO DO DIESEL NOS PRODUTOS E SERVIÇOS VENDIDOS
Além do diesel, diversos fatores, como câmbio, oferta e demanda, influenciam nos preços de produtos e serviços.

Dada a alta do dólar / desvalorização do real, a falta de insumos para produção (e a consequente queda da oferta) causada pela pandemia e o aumento no preço do diesel, temos um cenário perfeito para o aumento dos preços finais ao consumidor.

Infelizmente, esses aumentos já podem ser sentidos na ponta. Quando vamos ao mercado comprar alimentos e bens de consumo em geral, ou quando contratamos um serviço, podemos ver que pagamos mais caro hoje do que um ano atrás.

Para se ter uma idéia, de abril/2020 até março/2021, o IGP-M2 acumulado foi de 31,10% e o IPCA3, para o mesmo período, foi de 6,10%.

A RodoQuick Transportes, transportadora em Santos que luta diariamente para reduzir custos e aumentar a qualidade do serviço, é a favor do livre mercado. Concordamos que as empresas estatais devam ter independência e possam praticar preços de mercado, como a Petrobrás faz com o combustível, DESDE QUE HAJA CONCORRÊNCIA.

No entanto, temos no Brasil praticamente um monopólio no refino de petróleo e fornecimento de combustível. Dessa forma, o preço na bomba NÃO reflete o preço justo num mercado de livre concorrência. Em outras palavras, é muito cômodo (e desleal) que a Petrobrás siga os preços internacionais de petróleo e combustíveis, uma vez que não tem quem concorra com ela, forçando-a a praticar uma margem de lucro menor.

Se tivéssemos livre e ampla concorrência, certamente nem todos os aumentos teriam sido repassados na íntegra, como foram até então.


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