Governo paraguaio suspende circulação de bitrens após greve de caminhoneiros

Após cinco dias de paralisação no transporte rodoviário de cargas, falta de combustíveis, cerveja e alimentos perecíveis em várias cidades e reuniões marcadas por discussões acaloradas, o governo paraguaio decidiu suspender a circulação de bitrens brasileiros no norte do país. A suspensão foi confirmada na última sexta-feira (2) pelo ministro de Obras Públicas e Comunicações (MOPC), Ramón Jiménez Gaona. 
A circulação de bitrens brasileiros com até 7 eixos havia sido autorizada pelo próprio Ministério das Obras Públicas e Comunicações (MOPC) do Paraguai através da Resolução nº 74, de 17 de janeiro de 2018.


De acordo com a publicação, a circulação de bitrens brasileiros para o transporte de soja em solo paraguaio aconteceria de forma experimental em um trecho da Route Nacional No. 5 que liga a fronteira de  Pedro Juan Caballero (PY) - Ponta Porã (BR) ao porto de Concepción. 
Segundo o ministro Ramón Jiménez Gaona, em uma reunião na última sexta entre membros do governo paraguaio e a associação de empresários de Campo Grande, MS, concordou-se que a safra de soja deste ano estimada em 1 milhão de toneladas seja transportada por caminhões convencionais até o porto de Concepción.
Com o novo acordo, o Ministério Paraguaio decidiu suspender por até 12 meses os efeitos da Resolução nº 74, consequentemente suspendendo pelo mesmo período a entrada de bitrens brasileiros no norte do país, através da Route Nacional No. 5.
Apesar da decisão que atende a reivindicação de milhares de caminhoneiros paraguaios, o governo voltou a destacar a importância da modernização do sistema de transportes do país. "Se queremos ser o corredor bioceânico, devemos apostar na modernidade. O governo está se preparando para trabalhar em estreita colaboração com os motoristas de caminhão ", destacou o ministro paraguaio. 
Segundo a Federação de Caminhoneiros do Paraguai (FCP), somente na região norte onde a circulação experimental seria autorizada cerca de 5 mil caminhoneiros autônomos serão prejudicados. Já em todo o país a estimativa é de que cerca de 35 mil caminhoneiros paraguaios seriam prejudicados com a entrada dos bitrens brasileiros. 

Protestos anteriores
Vale lembrar que esta foi a segunda tentativa de autorização para o ingresso de bitrens em solo paraguaio. Em maio de 2016, um protesto de 20 dias organizado Federação dos Caminhoneiros Paraguai (FCP) conseguiu suspender o processo de regulamentação e autorização de circulação dos bitrens brasileiros. 
De acordo com a entidade, os bitrens brasileiros representam uma concorrência desleal para os caminhoneiros paraguaios, uma vez que não há condições para competir com os transportadores brasileiros. 

TEXTO: Lucas Duarte
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