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Concessionárias de rodovias se posicionam contra o fim da pesagem por eixo de caminhões

Agente do DNIT acompanhando pesagem de carreta em balança móvel
DNIT/Divulgação

Prevista na MP 1343, fim da pesagem por eixo foi aprovada por senadores e deputados federais; ABCR pede que Presidente Lula vete mudança na fiscalização

O fim da polêmica e controversa pesagem por eixo de veículos de carga em todo o Brasil depende agora de apenas uma única decisão do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a sanção do Projeto de Lei de Conversão (PLV 6/2026), fruto da MP nº 1.343/2026, aprovada na Câmara dos Deputados e no Senado.


De acordo com o texto aprovado, todos os caminhões e Combinações de Veículos de Carga (CVC) com Peso Bruto Total (PBT) e/ou Peso Bruto Total Combinado (PBTC) igual ou inferior a 74 toneladas deverão ser fiscalizados apenas quanto ao limite de peso total. A pesagem por eixo poderá ser realizada somente quando for constatado que os limites de PBT e/ou PBTC forem ultrapassados. Nestes casos, também serão mantidas as atuais penalidades cumulativas já previstas na atual legislação de trânsito brasileira.


A mudança deverá ser acrescentada ao Art. 99 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) que passará a ter a seguinte redação: 

Art. 99 (...)
§ 6º Para fins de fiscalização de excesso de peso, os veículos ou as combinações de veículos com peso bruto total regulamentar igual ou inferior a 74 t (setenta e quatro toneladas) serão fiscalizados apenas quanto aos limites de peso bruto total ou de peso bruto total combinado, exceto nas hipóteses específicas estabelecidas pelo Contran.

§ 7º Os veículos ou as combinações de veículos referidos no § 6º que ultrapassarem o limite de peso bruto total ou de peso bruto total combinado também serão fiscalizados quanto ao excesso de peso por eixo, aplicando-se as penalidades cabíveis de forma cumulativa, quando configuradas infrações autônomas, respeitadas as tolerâncias previstas no § 2º deste artigo.” 


Entretanto, a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) tem se posicionado contra a mudança na fiscalização e defendido o veto presidencial. A associação chegou inclusive a enviar na última quarta-feira (22) uma carta ao ministro dos Transportes, George Santoro, alertando sobre o perigo de não vetar esse trecho do texto aprovado pelo Parlamento. 


Para a ABCR, a ausência de fiscalização de peso por eixo levará a uma reação em cadeia nas rodovias brasileiras. A associação afirma que o desequilíbrio do peso entre os eixos dos caminhões ampliará o desgaste de pneus e rolamentos, comprometerá a capacidade de frenagem dos veículos e aumentará o desgaste do pavimento das rodovias.  A entidade afirma ainda que com isso, as despesas acabarão sendo repassadas aos usuários das rodovias, por meio de reajustes nas tarifas ou pela pressão sobre o orçamento público.

Segundo a ABCR, estudos demonstram que o sobrepeso em um eixo específico reduz em quase metade e vida útil do pavimento. Por mais que a intenção do legislador não tenha sido essa, argumenta a Associação na defesa do veto parcial ao PLV 6/2026, ao alterar o art. 99 do CTB, a infraestrutura rodoviária será afetada e o risco de acidentes fatais será acentuado.

Esse veto mantém os principais pontos da norma, que foram o objeto inicial da Medida Provisória nº 1343/2026, e a fiscalização por excesso de peso por eixo, permitindo a manutenção da infraestrutura rodoviária e reduzindo o seu desgaste precoce”, afirmam na carta o diretor presidente da ABCR, Marco Aurelio Barcelos e o diretor executivo da Associação, Marco Antonio Giusti.



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