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Fim da escala 6x1 impactará transporte de cargas e deve aumentar custos dos produtos

Gemini

Transporte brasileiro vive dilema operacional em meio a possível redução da escala de trabalho e a crescente falta de motoristas; Executivos do setor analisam as consequências da mudança

O avanço das discussões relacionadas a jornada de trabalho 6x1, tem gerado debates sobre a produtividade e a elevação de custos que afetariam diretamente a economia nacional e diferentes indústrias. Em tramitação no Congresso Nacional, a  Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 8/2025 e 221/2019, estabelece uma redução da carga de trabalho, passando para uma escala 5x2 e limitando o expediente a 36 horas semanais. 


Parte fundamental para a economia brasileira, sendo responsável por mais de 65% da movimentação de produtos no Brasil, o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) poderá ser um dos setores mais impactados pelas instabilidades e desafios que vão além do âmbito financeiro, caso a PEC seja aprovada. Com isso, o setor se vê diante de um dilema operacional, com o possível fim da escala 6x1, já que, hoje, a escassez de motoristas profissionais e o envelhecimento da classe representam um gargalo real. 


Diante deste cenário, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) e outras entidades do setor produtivo lançaram um manifesto sobre a modernização da jornada de trabalho, alertando que mais de 65% das empresas de transporte de cargas já enfrentam falta de motoristas no país. 

Para Ludymila Mahnic, COO da Mahnic Soluções Logísticas, empresa com 54 anos de atuação, o principal desafio será interno, passando pela organização de escalas, pela contratação de novos profissionais e possíveis aumentos de custos.


“A mudança tende a aumentar os custos das transportadoras, especialmente com as despesas trabalhistas. A necessidade de reorganizar jornadas, contratar novos profissionais ou ampliar equipes administrativas pode elevar significativamente a folha de pagamento. Assim, as empresas terão que investir mais em gestão de escalas, controle de jornada e planejamento operacional para manter a eficiência das operações dentro das novas regras”, afirmou a diretora.

Com a jornada de trabalho 5x2, muitas transportadoras passariam a diminuir suas operações, teriam de adaptar seus processos internos, além de reavaliar os gastos em um cenário de fluxo de caixa volátil. Para Danilo Guedes, CEO da ABC Cargas, a transformação da jornada de trabalho impactará diretamente no preço final dos produtos, tendo em vista o aumento dos custos trabalhistas.

O transporte é um elo essencial da economia. Praticamente tudo o que consumimos passa por um caminhão em algum momento. Quando o custo do transporte aumenta, esse impacto tende a aparecer no valor do frete e, ao longo da cadeia, no preço final dos produtos. Ou seja, não é apenas uma questão do setor de transporte, é um efeito que pode chegar diretamente ao bolso do consumidor”, analisa o CEO.


Com isso, os executivos passam a estudar as possíveis reações no mercado e o nível de competitividade no setor com a mudança. “Hoje, o transporte não está preparado para uma mudança desse tipo sem gerar impactos relevantes. Muitas transportadoras já operam com margens apertadas, custos elevados e grande dificuldade para ampliar equipes ou absorver novas despesas trabalhistas. Sem um período adequado de adaptação e diálogo, o risco de impacto na eficiência operacional e na competitividade é significativo, podendo comprometer a sustentabilidade de muitas operações no mercado”, aponta Ludymila Mahnic.

A eficiência é um ponto central no debate, afinal, a logística e o transporte abastecem as cidades e são extremamente relevantes para a população como um todo. O modal rodoviário trabalha em conjunto com diferentes indústrias para garantir a qualidade e um bom fluxo operacional na distribuição nacional. Dessa forma, transições bruscas podem afetar a produtividade e o volume das atividades.

Transformações estruturais como essa precisam considerar a realidade operacional da logística no país. O Brasil depende fortemente do transporte rodoviário para abastecimento e circulação de mercadorias. Se mudanças dessa magnitude não forem amplamente debatidas com o setor produtivo, existe o risco de gerar aumento de custos, perda de eficiência e impactos na competitividade da economia”, finalizou Danilo Guedes.


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