Crise afeta empresas de transporte rodoviário

Com o crescimento econômico praticamente anulado, diversos setores têm anunciado redução nas vendas, produção, faturamento e no nível de emprego. O setor de transporte rodoviário de cargas aponta a diferença entre o preço do frete e os custos efetivos da atividade como um dos principais problemas da crise enfrentada pela categoria.
A quantidade de caminhões e carretas encostados nos postos de combustíveis demonstra o reflexo direto da crise econômica. Com o número de fretes abaixo do comum e o preço do transporte caindo cada vez mais, os caminhoneiros ficam na espera, às vezes, por até uma semana para fazer um transporte.
João Pereira de Carvalho, caminhoneiro há 30 anos, relatou à reportagem do JORNAL DE UBERABA que uma carreta sem carga faz cerca 2,8 km e, carregada, 1,8 litro por quilômetro. “Para encher o tanque com diesel, são gastos R$ 800,00. A minha carreta, uma Scania 1998, tem 22 pneus, cada pneu tem um custo de R$ 1.500,00. Para comprar uma carreta como a minha, o caminhoneiro tem que investir R$ 100.000,00 e cerca de R$ 30.000,00 no cavalo mecânico”, revelou.
Carvalho pondera que, hoje, não está compensando fazer transportes porque tem pedágios e, se a estrada estiver em péssimas condições, terá que arcar com manutenção. “O setor de transportes vem sentindo mês a mês a queda nas vendas. Algumas empresas não estão tendo lucros suficientes para pagar os custos e as transportadoras não conseguem repassar o aumento dos custos para o preço do frete sob o risco de perder o trabalho, o que já levou algumas transportadoras a paralisarem as operações”, avaliou.

Impacto 
O proprietário de uma empresa de ônibus, A.S., acrescenta que o setor também teve impacto no nível de emprego. “O setor vinha enfrentando dificuldades para contratar motoristas, mecânicos e outras funções-chaves. Hoje, as empresas recebem, diariamente, dezenas de currículos de profissionais que estão no mercado em busca de um novo posto de trabalho. Muitos deles são desempregados de outros setores que buscam uma recolocação no mercado e outros têm origem no próprio setor”, pontuou.

Dados
Pesquisa. Segundo a última pesquisa da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), divulgada no fim de fevereiro, o preço do frete no país está pelo menos 15% abaixo do custo mínimo para se fazer o transporte, considerando mão de obra e combustível, especialmente.

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