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Mercado de implementos rodoviários segue em queda e sem previsão de alta

O desaquecimento da atividade industrial em 2012 tem contribuído para impedir a retomada do mercado de implementos rodoviários. De acordo com levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de janeiro a agosto a indústria produziu 3,4% menos que no mesmo período de 2011.
Menos produção na indústria significa menos demanda por transporte de matérias-primas e componentes para as fábricas, por um lado, e de menos distribuição de produtos acabados, pelo outro. Nos dois vetores de movimentação de carga, a presença de implementos rodoviários é obrigatória. Com o desaquecimento da atividade industrial, cai o volume de pedidos.
De janeiro a setembro, as empresas produtoras de implementos rodoviários comercializaram 119.397 unidades, o que representa queda de 16,92% com relação ao mesmo período do ano passado. Em 2011, de janeiro a setembro foram vendidas 143.715.
Das 15 faixas de produtos analisadas pela ANFIR no segmento Pesado (reboque e semirreboque) somente uma – carrega tudo – registrou desempenho positivo. Há casos de queda de 0,1% (baú frigorifico) até 31% (soma dos três modelos de tanques: carbono, inox e alumínio). No total, o segmento Pesado registrou 38 mil unidades vendidas de janeiro a setembro, o que representa queda de 16,25%, ante o mesmo período do ano passado.
No segmento Leve (carroceria sobre chassis), todas as sete faixas de produtos analisadas estão em queda. A menor redução está registrada em tanque (3,6%) e a maior em baú lonado (32,76%). No total, de janeiro a setembro foram comercializadas 81.397 unidades do segmento Leve, o que representa redução de mercado de 17,23% sobre o mesmo volume apurado no ano passado. “A retomada do mercado poderá acontecer já em outubro, porém é cedo ainda para prever quais as primeiras linhas de produto que responderão positivamente,“ diz Mario Rinaldi, diretor Executivo da ANFIR.
Mesmo com as três medidas baixadas pelo governo – maio, abril e agosto – o mercado não respondeu ainda. “A taxa de juros de 2,5% ao ano é muito importante, porém o setor depende do aquecimento da atividade industrial, além de outros setores da economia”, explica Alcides Braga, presidente da ANFIR (Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários).
Com relação às medidas de incentivo baixadas pelo governo, a ANFIR aponta que a aplicação de vários pacotes muito próximos uns dos outros acaba por promover o efeito inverso: paralisa o mercado aio invés de movimentá-lo. Isso porque quando as empresas recebem a notícia de um pacote de incentivo, cancelam os processos que já estão no BNDES, para se beneficiarem das novas e melhores condições de financiamento.
No entanto, o presidente da ANFIR lembra que a análise dos números de desempenho do setor de implementos rodoviários em 2012 sofre concorrência do próprio segmento. Isso porque 2011 foi o recorde histórico com 190.825 unidades vendidas.“Sem dúvida que repetir o desempenho do ano passado seria no mínimo excelente. Mas não acredito que isso posso acontecer. Portanto, devemos ter em mente uma perspectiva de mercado mais realista, sem contar com novo recorde”, diz.

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