Caminhoneiros de MT acusam transportadoras de formarem cartel para baixar frete

Em Mato Grosso, caminhoneiros acusam transportadoras de combinarem entre si preços baixos para os fretes. Muitos veículos estão parados e, segundo os motoristas, os serviços oferecidos não cobrem os custos da viagem. A saída pode estar numa tabela de preços mínimos para o frete, proposta do projeto de lei 258/2015, que será votado nesta pela comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados nesta quarta, dia 30. Para pressionar os parlamentares a votarem favoravelmente, caminhoneiros fizeram manifestação na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, e em alguns pontos de rodovias do país nesta terça-feira, dia 29.
Um caminhoneiro que prefere não se identificar afirma ter em mãos notas fiscais de trabalhos que provariam que existe um acordo entre transportadoras para baixar o valor do frete. Ele afirma que o frete recebido por uma transportadora foi de R$ 102 por tonelada, mas o motorista teria recebido R$ 67. “Em cima disso, eu tenho que pagar óleo diesel, pedágio, descarga. Você vê alguma transportadora ou dono de transportadora reclamando? (Não), Porque eles estão pegando um frete de empresas lá em cima e repassando para nós com o frete lá embaixo”, diz.

Mobilização
A BR-163/364, uma das principais rotas de escoamento de safra de Mato Grosso, ficou irreconhecível. Acostumada a receber um tráfego médio de 65 mil veículos por dia, a rodovia recebeu em sua maioria carros de passeio e um ou outro caminhão.
O dono de frota Gilson Baitaca lembra que houve uma queda considerável na produção na última safra, afetando o transporte. “Aquele que depende exclusivamente da renda do caminhão está aí hoje nas portas das transportadoras implorando por uma carga, mesmo que não tenha nenhum lucro”, diz.
De acordo com o gestor técnico do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Ângelo Luis Ozelame, o preço do frete do município de Sorriso até o Porto de Santos, em São Paulo, era de R$ 315 no ano passado. “Neste ano, a gente tem um preço em torno de R$ 200, ou 36,6% a menos do que a gente via no ano passado”.
Os caminhões que movimentam as rodovias e a economia dos municípios estão praticamente parados, superlotando pátios de empresas de grãos, postos de gasolina, oficinas e transportadoras. O caminhoneiro Jamir Patene Franco afirma que, atualmente, compensa mais encostar o caminhão do que trabalhar com um valor de frete ruim. “SE quebrar o caminhão, você não tem dinheiro para mandar arrumá-lo”, diz.
Ele conta que o frete para João Pessoa (PB), que já teria pago R$ 430 por tonelada, hoje é cotado a R$ 300. “Nosso almoço hoje foram apenas três pães com carne moída. Estamos com a cozinha zerada. Nunca vi isso; passar fome na estrada, é a primeira vez (que passo)”, complementa o também caminhoneiro Adriano Ferreira da Silva.
Baitaca, por sua vez, afirma que não é possível renovar a frota nem fazer a devida manutenção nos veículos, pondo em risco a vida de quem trafega pelas rodovias e as cargas. “O setor está literalmente falido. Essa crise já está ha três anos instalada, e a cada ano só está piorando".
Segundo Gilson Baitaca, o caminhoneiro autônomo e o empresário frotista não têm oportunidade de sentar à mesa de negociações e discutir um preço justo para o serviço prestado. “Por isso estamos pleiteando que haja uma tabela com custo mínimo de frete, para que se possa trabalhar mesmo nos períodos de crise ou de entressafra, que aqueles que carreguem tenham um preço justo e que consigam sobreviver mesmo perante uma crise no setor agrícola.”
FONTE: Canal Rural 
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