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Escassez de motoristas, qualificação contínua e baixa participação feminina estão entre os pontos de atenção do setor, segundo estudo encomendado pela ABTLP
A exemplo do que já ocorre em outros segmentos do transporte rodoviário de cargas brasileiro, a crescente falta de motoristas e a necessidade de formação de novos profissionais também desafia o transporte de produtos perigosos. A informação é confirmada pelo Perfil Empresarial – Brasil, estudo solicitado pela Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP) e desenvolvido pelo Instituto Paulista do Transporte de Carga (IPTC).
Com base nos dados de 98.841 trabalhadores formais, dos quais 50.163 são motoristas, o estudo revela características importantes sobre escolaridade, diversidade e qualificação dos profissionais do segmento.
De acordo com o levantamento, entre os trabalhadores identificados, 65.527, ou 66,3%, possuem ensino médio completo, enquanto 17,3% concluíram o ensino fundamental, 9,3% têm ensino fundamental incompleto e 6,8% possuem ensino superior. Como o levantamento reúne diferentes funções e apresenta forte presença de profissionais operacionais, os números também mostram que o grau acadêmico, isoladamente, não traduz toda a especialização exigida pela atividade.
Para o presidente da ABTLP, Oswaldo Caixeta, a qualificação necessária para atuar no transporte de produtos perigosos é construída de forma contínua e envolve conhecimentos que vão além do nível de escolaridade. “Quando falamos em especialização, não nos referimos apenas à formação acadêmica, mas principalmente ao conhecimento específico exigido pela atividade. Isso envolve cursos de formação e capacitação, treinamentos técnicos, certificação e atualização constante sobre normas, procedimentos e segurança”.
Essa característica ganha ainda mais relevância em uma atividade submetida a exigências regulatórias e operacionais específicas, nas quais atualização técnica e domínio dos procedimentos de segurança fazem parte da rotina. Para a ABTLP, a preparação é uma característica forte nos profissionais do setor.
“Esses profissionais estão sempre buscando aperfeiçoamento, acompanhando as mudanças nas normas e também as novas práticas do mercado. Estamos falando de uma atividade em que segurança, responsabilidade e qualificação precisam caminhar juntas”, avalia Caixeta.
O recorte por gênero também evidencia um desafio para o segmento. Dos 98.841 trabalhadores formais mapeados, 13.067 são mulheres, o equivalente a 13,2% do total. Entre os motoristas, porém, a participação cai para 1,1%, com 553 mulheres entre 50.163 profissionais.
Para a ABTLP, ampliar essa presença depende de uma série de elementos que ainda não estão plenamente estabelecidos. “A presença feminina em nosso setor depende de diversos fatores, desde a ampliação das oportunidades de ingresso e qualificação até a criação de ambientes de trabalho mais inclusivos e preparados para receber essas profissionais. Ainda existem muitos desafios, mas percebemos um avanço gradual da participação das mulheres, inclusive em funções técnicas, operacionais e de liderança. Um avanço de forma natural, à medida que as oportunidades se ampliam”, reflete Oswaldo.
A renovação dos motoristas é outro ponto de atenção. Embora o estudo identifique mais de 50 mil profissionais na função, o setor enfrenta dificuldades para atrair novos condutores, desafio ainda mais sensível no transporte de produtos perigosos por exigir qualificações específicas.
“A escassez de motoristas profissionais é uma realidade enfrentada pelo transporte de cargas e tem se tornado mais crítica a cada ano. O maior desafio é atrair novos profissionais para a atividade e, ao mesmo tempo, valorizar e manter aqueles que já atuam no setor, oferecendo qualificação, segurança e melhores perspectivas de carreira. No nosso segmento, o problema é ainda mais complexo, pois a atividade exige profissionais experientes, altamente capacitados e preparados para cumprir normas rigorosas de segurança e assumir responsabilidades que vão muito além da condução do veículo”, destaca o presidente da ABTLP.
Para ampliar o acesso à capacitação, a ABTLP desenvolveu, em parceria com o SEST SENAT, um curso gratuito e a distância para Condutores de Veículos de Carga (CVC), que já alcançou milhares de motoristas no país. A entidade também prepara para este ano uma nova formação EAD, voltada à sinalização dos veículos utilizados no transporte de produtos perigosos e à aplicação correta das exigências técnicas e regulatórias.
“A ABTLP sempre teve a educação e a qualificação profissional entre os principais pilares de sua atuação. Entendemos que um transporte mais seguro começa necessariamente pela preparação das pessoas que fazem parte dessa atividade”, conclui Caixeta.
