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Transportadoras ampliam investimentos para enfrentar falta de motoristas

DAF XF com carreta sider da ABC Cargas
Divulgação

88% das transportadoras já enfrentam dificuldades para contratar; empresas estão investindo em valorização, formação e relacionamento para garantir a permanência dos motoristas nas operações

Realidade incontestável no transporte rodoviário de cargas brasileiro, a escassez de motoristas tem sido amplamente debatida, mas, para especialistas e lideranças do segmento, o problema vai além da falta de mão de obra. A dificuldade em reter profissionais qualificados também tem se tornado um dos principais gargalos operacionais das empresas. Estudos do setor indicam que a rotatividade elevada impacta diretamente a produtividade, a segurança e os custos das operações logísticas.


A exemplo do que já acontece no exterior, o envelhecimento da categoria, a baixa entrada de novos motoristas e as exigências crescentes da atividade também tem agravado o cenário no Brasil. Segundo a pesquisa mais recente da NTC&Logística, 88% das transportadoras enfrentam dificuldades para contratar motoristas, evidenciando a dimensão do desafio enfrentado pelas empresas. Dados do setor também apontam que a idade média dos motoristas vem aumentando, o que reforça a necessidade de renovação da força de trabalho.


Para Danilo Guedes, CEO da ABC Cargas, é preciso olhar com mais profundidade para a questão: “O setor tem discutido muito a escassez, mas o grande desafio hoje é a retenção. Não basta formar ou contratar motoristas, é preciso criar condições para que eles permaneçam, se desenvolvam e se sintam parte da operação”, afirma o executivo.

Referência no transporte de caminhões zero quilômetro em todo o Brasil e América do Sul, a ABC Cargas vem adotando uma abordagem estratégica para enfrentar esse cenário. Além do investimento em capacitação, a empresa também tem estruturado iniciativas voltadas ao relacionamento, valorização e engajamento dos motoristas parceiros. Esse movimento acompanha uma tendência do setor, que passa a enxergar o capital humano como fator determinante para a sustentabilidade das operações.


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Um dos principais exemplos é a Academia do Motorista, programa desenvolvido em parceria com o SEST SENAT, que vai além do treinamento técnico e busca fortalecer o vínculo entre empresa e profissional. A iniciativa também contribui para elevar padrões de segurança, qualificação e profissionalização da categoria.

A Academia não é apenas um espaço de qualificação. É uma iniciativa que aproxima, orienta e valoriza o motorista. Quando o profissional percebe que existe investimento no seu desenvolvimento e reconhecimento do seu papel, isso impacta diretamente na sua permanência e no seu nível de engajamento”, explica Guedes.


De acordo com o CEO, essa mudança de mentalidade tem reflexos diretos na operação. Motoristas mais engajados tendem a apresentar melhor desempenho, maior cuidado com os veículos e mais alinhamento com os padrões de segurança e qualidade exigidos pelo mercado. Esse cenário contribui também para a redução de acidentes, custos operacionais e perdas logísticas.

“Estamos falando de um profissional que representa a empresa na ponta. Ele é responsável por uma operação que exige atenção, responsabilidade e eficiência. Quando esse motorista está preparado e motivado, todo o processo ganha em qualidade e confiabilidade”, destaca.

Segundo o executivo, a retenção de motoristas também exige um olhar mais amplo sobre a experiência desses profissionais dentro da cadeia logística. Fatores como condições de trabalho, infraestrutura nas estradas, pontos de apoio e reconhecimento profissional também influenciam diretamente na decisão de permanência na atividade.


É uma mudança cultural. Precisamos deixar de enxergar o motorista apenas como executor e passar a vê-lo como parte estratégica do negócio. Isso envolve comunicação, reconhecimento, condições adequadas de trabalho e oportunidades de desenvolvimento contínuo”, pontua.

Para Guedes, empresas que compreenderem esse movimento sairão na frente em um cenário cada vez mais competitivo e desafiador. A tendência é que a disputa por profissionais qualificados se intensifique nos próximos anos, exigindo das empresas uma atuação cada vez mais estruturada na gestão de pessoas.

O transporte rodoviário está em transformação, e a disputa por bons profissionais tende a aumentar. Quem investir em relacionamento, valorização e estrutura para esses motoristas terá uma operação mais estável, eficiente e preparada para crescer de forma sustentável”, conclui Danilo Guedes.



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