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8.570 ocorrências de roubo de cargas foram registradas em todo o Brasil ao longo do último ano; região Sudeste concentra mais de 80% dos casos, segundo dados da NTC&Logística
Considerado um dos desafios mais críticos do transporte rodoviário de cargas brasileiro, o roubo de cargas segue gerando prejuízos milionários em todo o País. De acordo com o mais recente levantamento da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), em 2025, foram registradas 8.570 ocorrências no Brasil.
Apesar do número representar uma redução de 16,7% em relação a 2024, quando foram registradas 10.478 ocorrências, o impacto financeiro permanece elevado. O prejuízo direto estimado chega a aproximadamente R$ 900 milhões, podendo ultrapassar R$ 1 bilhão ao considerar os efeitos indiretos, como aumento de custos operacionais, seguros e impacto no preço final dos produtos.
Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, os dados reforçam a importância da continuidade das ações conjuntas, mas evidenciam que o problema ainda está longe de ser superado – ainda que haja avanços importantes no campo institucional e legislativo.
“A redução registrada ao longo dos últimos anos demonstra que o trabalho conjunto entre setor produtivo e poder público tem gerado resultados. Ao mesmo tempo, evoluímos em pautas importantes, fruto de um trabalho consistente de articulação e construção técnica. Um dos pontos centrais para reduzir o roubo de cargas é o combate à receptação, que sustenta economicamente esse tipo de crime. E vemos, agora, um avanço concreto nesse sentido com a sanção da Lei nº 15.358/2026, que institui o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado no Brasil, fortalecendo o enfrentamento das estruturas criminosas e ampliando os mecanismos de punição e investigação. Essa é uma medida importante para dar mais segurança a quem atua dentro da legalidade. Ainda assim, o cenário segue preocupante e exige atenção permanente, com ações estruturadas e integradas em todo o país”, enfatiza Rebuzzi.
Os da NTC&Logística também revelam que a maior parte das ocorrências de roubo de cargas seguem se concentrando em regiões estratégicas do País. O Sudeste responde por 86,8% das ocorrências, com destaque para Rio de Janeiro e São Paulo, que concentram a maior parte dos registros nacionais.
O estudo também aponta uma evolução no perfil das ações criminosas. As quadrilhas têm priorizado cargas de alta liquidez, como alimentos, combustíveis, medicamentos e eletrônicos, e adotado estratégias mais sofisticadas, como interceptações em movimento, abordagens durante entregas e atuação em áreas urbanas e corredores logísticos.
Para o vice-presidente extraordinário de Segurança da NTC&Logística, Roberto Mira, o cenário atual exige uma resposta ainda mais coordenada. “Mesmo com a redução no volume de ocorrências, o crime vem se tornando cada vez mais sofisticado. As organizações criminosas atuam de forma estruturada e com inteligência, o que exige do setor e das autoridades uma resposta igualmente integrada, com uso de tecnologia, informação e cooperação contínua.”
Por fim, os dados também reforçam que o roubo de cargas é um problema que ultrapassa a esfera criminal, impactando a competitividade do TRC, a previsibilidade logística e o custo Brasil. No levantamento, desafios estruturais, como a fragmentação de dados e a necessidade de maior integração entre os sistemas de segurança pública, também são evidenciados.
Confira na íntegra o levantamento: CLIQUE AQUI
