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Defasagem no valor do frete ultrapassa 10% e acende alerta de crise no transporte

Gemini

Entenda como a Lei 14.599/23 e a Selic de 15% estão impactando o valor do transporte de cargas; Recomposição do frete é vital para evitar colapso

O setor de Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) inicia 2026 enfrentando um cenário crítico de sustentabilidade financeira. Segundo dados recentes da NTC&LOGÍSTICA, baseados nas análises do DECOPE (Departamento de Custos Operacionais), o valor do frete praticado no Brasil apresenta uma defasagem média de 10,1% em relação aos custos reais de operação.


O comunicado oficial visa orientar o mercado e transportadoras sobre a necessidade imediata de recomposição tarifária para garantir a continuidade de um serviço essencial à economia nacional.


Por que os Custos do Transporte Subiram? 3 Fatores Decisivos
Apesar do aumento no volume de cargas para 40% das empresas no último ano, a rentabilidade foi corroída por mudanças regulatórias e operacionais profundas.

1. Novos Seguros Obrigatórios (Lei 14.599/23)
Com a nova legislação, a gestão integral de riscos e os custos dos seguros RCTR-C, RC-DC e RC-V passaram a ser responsabilidade exclusiva do transportador. Para equilibrar as contas, o setor tem adotado a Taxa de Seguro Obrigatório (TSO).

2. Fiscalização Eletrônica do Piso Mínimo (Lei 13.703/18)
O fim da leniência comercial chegou. Com a fiscalização via MDF-e e CIOT pela ANTT, praticar valores abaixo da tabela de frete tornou-se um risco de conformidade (compliance). O cumprimento do piso é agora obrigatório e inegociável na contratação de terceiros (TAC).

3. Redução da Produtividade (ADI 5322)
Decisões judiciais sobre tempos de descanso e espera reduziram a disponibilidade da frota. Com menos viagens por caminhão e uma escassez crônica de motoristas qualificados, o custo fixo operacional disparou.

Raio-X dos Custos: O que Mais Pesa no Bolso do Transportador?
A inflação do setor de transportes demonstra que o repasse de custos não acompanhou a valorização dos insumos nos últimos três anos.

No acumulado de 12 meses, o INCTF (Carga Fracionada) subiu 5,34%, superando o IPCA de 2025, que fechou em 4,44%. Isso prova que o setor de logística está enfrentando uma inflação interna superior à média nacional.


Perspectivas para 2026: Selic e Reoneração da Folha
O cenário para 2026 impõe novos desafios que exigem atenção imediata dos gestores logísticos:

- Pressão Tributária: A segunda fase da reoneração da folha de pagamento aumenta o peso dos impostos sobre a folha salarial.

- Custo Financeiro: Com a Selic mantida em 15%, o financiamento de prazos para clientes tornou-se extremamente oneroso. A NTC orienta que esse custo financeiro seja repassado, pois não integra as planilhas de custo referencial.

- Componentes Tarifários: A aplicação rigorosa do Frete-Valor, GRIS e TSO é vital para a cobertura de riscos operacionais.

Para a NTC&LOGÍSTICA, a sobrevivência das transportadoras depende da eliminação da defasagem de 10,1%. Sem o monitoramento constante das taxas e a cobrança correta da cubagem, a sustentabilidade logística do país corre sérios riscos.


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