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Zorzin Logística investe em ações para contratação de caminhoneiras

Zorzin Logística/Divulgação

Dentre as iniciativas da empresa paulista destaca-se a personalização de um caminhão para mulheres; transportadora também firma compromissos com os princípios de sustentabilidade internacionais 

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Estudos recentes do Instituto Paulista do Transporte de Cargas (IPTC) revelam que a participação das mulheres em áreas operacionais do transporte rodoviário de cargas ainda é baixa. Em 2021, foram registradas 13.471 contratações femininas; enquanto os homens tiveram 125 mil. Segundo o Instituto, no geral, a porcentagem de mulheres caminhoneiras no Brasil é de apenas 1,51% e no segmento de produtos químicos e/ou perigosos, essa margem é ainda menor, devido ao baixo estímulo para a ocupação dessa função.

Na contramão das estatísticas e com o objetivo de reverter este cenário, a Zorzin Logística, empresa paulista especializada no ramo, anunciou recentemente uma série de ações que visam ampliar a participação feminina do transporte rodoviário de cargas. Destaque para o primeiro caminhão da frota personalizado para mulheres. “A iniciativa faz parte de uma série de ações internas que realizaremos para incentivar a contratação de caminhoneiras em nossas operações e filiais”, afirmou a diretora administrativa da empresa, Gislaine Zorzin.


Segundo a gestora, a ideia surgiu com base no compromisso estabelecido pela transportadora com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. A igualdade de gênero é o 5º objetivo definido na proposta da Organização, que, para se tornar uma realidade, conta com o apoio das empresas, do setor público e da sociedade civil.

O Movimento Vez e Voz, criado pelo Sindicato das Empresas do Transporte Rodoviário de Cargas de São Paulo (SETCESP), representa um verdadeiro avanço nas buscas por ações concretas de incentivo à participação das mulheres no nosso setor. Ainda somos um setor predominantemente masculino, porém, as entidades, sejam as do próprio transporte rodoviário de cargas como a de áreas próximas, já incluem no escopo dos seus trabalhos ações e a realização de pesquisas para caminharmos em direção a um cenário diferente”, explica Gislaine.


No início do ano, a empresa assinou, em conjunto com a Associação Brasileira de Indústria de Cloro-Álcalis (Abiclor), o Pacto de Sustentabilidade da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). O compromisso é uma iniciativa que visa contribuir com os ODS da ONU e sinaliza quais empresas consideram o trabalho de ESG uma prioridade de seus valores institucionais.

De acordo com a economista do IPTC, Raquel Serini, apenas 24% das empresas de transporte possuem o apoio à diversidade e à inclusão entre as suas diretrizes institucionais. Esse número cai para 20%, se olharmos para quantas empresas avaliadas de fato criam políticas para proporcionar um ambiente de trabalho mais propício para a introdução de mulheres nos diferentes setores de uma transportadora.


Assim, segundo Serini, cria-se um desestímulo, que é responsável, em parte, pelo índice de 1/3 de evasão de profissionais mulheres no TRC. Gislaine, por sua vez, acredita que, no caso das caminhoneiras, o trabalho de inclusão e de criação de melhores condições também envolve a estruturação de políticas públicas de infraestrutura nas estradas voltadas à segurança e ao bem-estar das mulheres. A empresária também lembra da importância de se pensar em um apoio específico àquelas que precisam lidar com a dupla jornada de trabalho enquanto realizam a rotina de trabalho com o transporte.

Há muitos detalhes psicológicos, administrativos e organizacionais a serem considerados se as transportadoras querem de fato passar às mulheres que lá é um local onde elas podem se sentir seguras. Isso em segmentos com procedimentos padrão. No caso de produtos perigosos, existem outros fatores a serem considerados, como o estigma de associar a mulher a apenas atividades delicadas, ou mais simples, entre outros. Enquanto empresária, digo que a solução é irmos passo a passo. Já temos uma motorista para veículos menores e o objetivo é observarmos como esse processo flui para, então, analisarmos como podemos evoluir. Temos em mente que, com essa questão, o objetivo é sempre aumentar o número de contratações e jamais estagnar”, finaliza Gislaine.


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