Frete apresenta defasagem média de 13,9%

Blog da IVECO
Uma pesquisa realizada pela Associação Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (NTC&Logística) relevou dados preocupantes sobre o transporte rodoviário de cargas no Brasil. O resultado do levantamento que ouviu cerca de 2.500 transportadoras de todo o país foi divulgado na última semana durante a primeira edição do CONET&Intersindical (Conselho Nacional de Estudos em Transporte, Custos, Tarifas e Mercado) de 2020.

De acordo com a pesquisa, o frete rodoviário recebido pelos trasportadores encerrou o ano de 2019 apresentando uma defasagem média de 13,9% em relação ao seu custo, sendo de 9,6% nas operações com transporte de cargas fracionadas e de 18,7% nas com cargas lotações ou fechadas.

Além da significativa defasagem no valor do frete, o levantamento constatou ainda uma crescente ausência de pagamento dos demais componentes tarifários do transporte, como por exemplo, frete-valor e taxa GRIS (Gerenciamento de risco e segurança). Ainda segundo a pesquisa, os serviços complementares ou adicionais ao transporte também não estão sendo remunerados adequadamente, como por exemplo, cubagem de mercadoria, taxa EMEX (Emergência Excepcional), TRT (Taxa de Restrição ao Transporte), serviços de paletização e guarda/permanência de mercadorias, uso de escoltas e planos de gerenciamento de riscos customizados, uso de veículos dedicados, dentre outros.

Segundo a NTC&Logística o não pagamento dos demais componentes tarifários e serviços do transporte rodoviário de cargas precisa ser resolvida de maneira imediata entre os contratantes e transportes, uma vez que em diversas situações os custos adicionais são superiores ao próprio frete.


Fretes em atraso
Além da significativa defasagem no valor do frete, o levantamento realizado pela NTC&Logística relevou outro dado preocupante do setor. Os dados mostram que os fretes no Brasil vêm sendo pagos cada vez mais com atraso: 61,5% das empresas têm valores a receber. Na última pesquisa, divulgada em agosto de 2019, o percentual de atraso era de 54%.

Segundo o coordenador da pesquisa Valdívia Neto, a ação virou cotidiano das empresas. “Teve um aumento. Entretanto, o mercado já se acostumou a receber o frete com atraso”. Porém, segundo ele, o problema maior para os transportadores seria o tempo para o pagamento que vem se estendendo cada vez mais.

“Antes era de 30 dias para o pagamento, depois expandiu para 45, e hoje você tem contratos que acertam pagamento em 120 dias. Só que enquanto atrasa o frete, as contas continuam vindo, e você tem que pagar os impostos e o combustível antes.”

Tabela de frete
A pesquisa realizada pela NTC&Logística também abordou um dos assuntos mais polêmicos do transporte rodoviário de cargas brasileiro nos últimos anos, a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (PNPM-TRC), conhecida popularmente como tabela de fretes.

De acordo com o levantamento, 37,7% das empresas consultadas veem a tabela de frete como uma medida positiva. Em agosto, 41% dos transportadores consideravam o tabelamento uma medida positiva para o setor.

LEIA: STF deve barrar tabela de fretes

Desempenho e expectativas para 2020
Os participantes do levantamento realizado NTC&Logística também relevaram o desempenho em 2019 e as expectativas para 2020. Para 39% das entrevistadas, o desempenho das empresas piorou. Já para 35%, melhorou. Em relação à expectativa para este ano, para 29% dos entrevistados o cenário deve melhorar e, para 32%, deve piorar.

TEXTO: Lucas Duarte
Com informações: NTC&Logística
Caminhões e Carretas

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