Estudo aponta que caminhões autônomos podem dobrar a produtividade do setor de transporte

Otto/Divulgação
A Cognizant, uma das empresas líderes mundiais em tecnologia e negócios, apresenta estudo sobre o futuro dos caminhões autônomos. O levantamento indica que a implementação total da tecnologia de automação nesses veículos pode reduzir custos operacionais e dobrar a produtividade.

Os caminhões conduzidos por inteligência artificial podem realizar viagens duas vezes mais longas, o que agrega valor à supply chain de bens não perecíveis e com taxa de turnover alta. Os caminhões autônomos reduzem consideravelmente o tempo de entrega dos produtos. Com velocidade de 80 km/h, esses veículos conseguem cobrir quase 2 mil quilômetros diariamente.

“O futuro já chegou para veículos autônomos. Os caminhões autônomos são um termômetro para trabalhos em outras indústrias, oferecendo oportunidades para líderes de negócio, especialistas em tecnologia e gestores de políticas públicas para avaliar como gerenciar essa transição”, afirma Eduardo Guerreiro, diretor de Negócios Digitais da Cognizant no Brasil. “A tecnologia de veículos autônomos se une à impressão 3D e à Internet das Coisas (IoT) como as forças que mais apoiam a otimização do gerenciamento de supply chain.”

A chegada dos caminhões autônomos terá impacto direto no mercado de trabalho. Os motoristas podem trocar viagens longas por curtas ou até mesmo ser treinados para operar remotamente esses veículos. Os consumidores serão beneficiados indiretamente pelos caminhões autônomos, já que os produtos poderão chegar às prateleiras mais rapidamente, e o valor repassado ao comprador no final será menor.

Outro impacto será nas legislações. As três esferas do poder público (municipal, estadual e federal) precisam estar alinhadas para desenvolver regulações e leis específicas. Em termos de planejamento, as cidades podem repensar sua engenharia de tráfego e seus desenhos urbanos.

“Enquanto algumas cidades grandes possuem os recursos e o capital humano para trabalhar em leis a respeito de veículos autônomos, muitas comunidades menores não têm a capacidade de fazer o mesmo. Para isso, é necessária uma ação legislativa unificada com a finalidade de alinhar as legislações de veículos autônomos no País todo”, comenta Guerreiro.

Por outro lado, a presença de caminhões (e outros veículos) autônomos também envolve uma questão de segurança. Há riscos para qualquer veículo que está conectado a uma rede, e caminhões inteligentes apresentam ainda mais vulnerabilidades a ciberataques. As empresas de logística precisarão encontrar novas maneiras para proteger os veículos de roubos de carga.

Automação e produtividade dos motoristas
O estudo aponta três modelos de autonomia para caminhões:

O líder do comboio (um motorista na frente com dois ou mais veículos o seguindo);

O rodízio (motoristas seriam retirados das cabines para viagens longas, mas pegariam no volante em hubs de transferência para que esses caminhões possam trafegar nas cidades, por exemplo);

O drone (os caminhões seriam pilotados remotamente de centros de operação).

De acordo com a Sociedade de Engenheiros Automotivos (SAE), a automação de veículos pode ser mensurada de 0 a 5. Quanto mais alto, maior o nível de automação do veículo. Enquanto o ecossistema agitado das cidades requer o maior nível de automação possível para veículos de passeio, as viagens realizadas por caminhões e caminhonetes já se beneficiam com nível menores de automação.

“Com o nível 3, os motoristas podem operar em comboio, e no nível 4 eles conseguem deixar o veículo no piloto automático, contanto que o asfalto esteja seco e o tempo, ameno. Durante esse período, os colaboradores podem descansar, comer, ou completar tarefas administrativas relacionadas ao seu trabalho”, explica Guerreiro.

“O boom de produtividade para os motoristas seria imenso. A tecnologia de veículos autônomos pode oferecer aos motoristas oportunidades para suplementar a renda com outros trabalhos remotos e aproveitar melhor a vida pessoal, conversando com amigos e familiares por telefone.”


Novos empregos no setor
Segundo Eduardo Guerreiro, não há motivo para alarde em termos de risco de demissão em massa. “Essas mudanças apresentam oportunidades para os líderes no futuro. Com um bom planejamento, vão surgir oportunidades para mais trabalhos com condições melhores na indústria. Os trabalhos com caminhões persistirão, mas ficarão bem diferentes. Sem motoristas, os funcionários de suporte se tornarão essenciais para garantir que os caminhões estejam em perfeitas condições de manutenção, por exemplo. Além disso, trocar os pneus na estrada é outra tarefa de rotina que os motoristas fazem, mas é impossível para caminhões autônomos. Todas essas tarefas apresentam oportunidades para inovação dentro da indústria e empregos que ajudam a manter a frota de caminhões do futuro.”

O estudo da Cognizant sugere três profissões do futuro para a área:

Gerente de recursos éticos: será necessário para gerenciar todos os recursos e discutir as soluções mais éticas e inclusivas.

Analista de cibercidades: vai garantir que caminhões autônomos sem condutores fiquem fora de vias urbanas ao mesmo tempo em que coordena a chegada de motoristas em hubs de transferência para permitir a entrada desses veículos em áreas metropolitanas.

Gerente de coordenação homem-máquina: o futuro do trabalho será baseado em como as empresas incorporam e potencializam as habilidades de humanos e máquinas ao fazê-los trabalhar juntos.

Questões de segurança
A segurança também é outro ponto relevante na discussão sobre caminhões autônomos. “As empresas de logística precisam analisar a segurança de seus colaboradores e de outros motoristas, considerando até riscos de cibersegurança, antes de conquistar a opinião pública a respeito do uso seguro dos caminhões autônomos em grande escala. Atualmente, os motoristas dos caminhões e seus empregadores são responsáveis por toda infração ou dano causado, o que faz sentido, considerando que 94% dos acidentes são causados por erro humano. Mas quando nós passamos o controle para softwares e máquinas, de quem é a responsabilidade? É mais provável que as questões de segurança atrasem a disseminação dos veículos autônomos mais do que qualquer problema tecnológico”, analisa Guerreiro.

Segundo o estudo, os players da área de logística sabem que falta muito ainda para que os níveis de habilidade e consciência de inteligência artificial atinjam os de um motorista comum, principalmente com os caminhões, nos quais os padrões de segurança devem ser ainda mais exigentes.

Outra grande questão é se os caminhões autônomos podem ser hackeados. Quanto mais os veículos ficarem conectados, mais brechas de segurança podem aparecer. Na pressa de transformar carros em computadores com rodas, as montadoras podem acabar expondo seus produtos (e as pessoas dentro deles) aos mesmos riscos de cibersegurança enfrentados por computadores ou celulares.

“Nenhum sistema é completamente seguro, e essas vulnerabilidades são exacerbadas quando as organizações falham em oferecer segurança e planos de contingência. Lideranças no ecossistema de caminhões autônomos devem se equipar com inteligência, e daí incorporar esse conhecimento em decisões estratégicas”, finaliza Guerreiro.
FONTE: Divulgação

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