Arte na carroceria: Filetagem fica cada vez mais rara

Nas carrocerias de madeira de caminhões mais antigos, mais do que produtos, também viaja um tipo de arte, chamado filetagem. A técnica consiste em desenhos abstratos, compostos por traços finos e precisos, com cores vibrantes. Há quem diga que ela é utilizada para identificar melhor os veículos; outros defendem que as pinturas dão “vida” à carroceria. 
Mas a técnica está ficando rara, já que as carrocerias de madeira vêm sendo substituídas por baús ou carrocerias de aço, mas faz parte da história do nosso transporte rodoviário de cargas, já que os desenhos são próprios de caminhões brasileiros. 
  
Por que filetagem?
O nome filetagem é derivado dos próprios traçados do desenho, chamados de filetes. Geralmente, são feitos com uma carretilha, um tubo de tinta com um disco giratório na extremidade. Quando o disco gira, a tinta do reservatório é espalhada pela madeira, surgindo os traços. Mas a pintura também pode ser feita com um pincel simples. 
De acordo com o artista plástico Marcius Tristão, que desenvolveu um trabalho de pesquisa sobre a filetagem, a origem da técnica é ibérica e foi inicialmente usada para a ornamentação de embarcações, de carroças e de charretes. “Pode-se dizer que a filetagem é importada, mas, como sofreu adaptações e alterações no Brasil, o que temos hoje é bem particular”, contou ele em entrevista à revista CNT Transporte Atual. 
Há também quem afirme que os desenhos são a versão moderna das vinhetas, um tipo de ornamentação utilizada nos livros medievais que reproduzia o desenho dos ramos de vinhedos.
No Brasil, a filetagem está presente em todo o território. “O mesmo estilo de desenho viaja por todas as nossas rodovias. É como se fosse uma linguagem nacional dos caminhões. Nas várias regiões, não encontrei diferenças marcantes. Os desenhos são semelhantes e, às vezes, até se repetem.”

Será o fim da filetagem?
Com a substituição das carrocerias de madeira, a técnica pode estar com os dias contados. Mas essa forma de arte pode ser preservada em outros suportes. Com isso, a filetagem deixaria de ser simples ornamentação para se tornar arte plástica. Foi o que ocorreu na Argentina: a filetagem era usada na decoração de ônibus, mas foi proibida no governo Perón (1946-1952). Os filetadores, então, passaram a reproduzir seus desenhos em casas de tango e cafés. Hoje, a arte conhecida como fileteado portenho é consagrada na Argentina.
FONTE: CNT 
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