Facchini

Ônibus e caminhões lideram empréstimos da Finame


Os empréstimos para compra de ônibus e caminhões sustentaram, até junho, os desembolsos da Finame, a linha de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para renovação de máquinas e equipamentos. A estimativa do banco é de que a Finame tenha fechado o primeiro semestre com desembolsos entre R$ 25,5 bilhões e R$ 26 bilhões. Quando se confirmar o número oficial, o crescimento deverá ficar entre 1,5% e 3,5% em relação aos R$ 25,1 bilhões desembolsados na Finame entre janeiro e junho do ano passado.
Segundo estimativas, o segmento transporte da Finame, incluindo ônibus, caminhões, aviões e outros equipamentos como vagões rodoviários, ganhou espaço nos desembolsos. Eles somaram cerca de R$ 15,5 bilhões no primeiro semestre, uma alta de 9% em relação ao mesmo período de 2010, e com isso passaram de uma participação de 56% para 61% do total. Já os bens de capital para a indústria, excluindo o setor transportes, totalizaram desembolsos de R$ 7 bilhões, uma queda de cerca de 4% sobre 2010. A queda maior foi no segmento agrícola, cujos desembolsos para compra tratores e colheitadeiras caíram cerca de 10% no período, totalizando R$ 3,2 bilhões.
No fechamento de 2011, a Finame terá desembolsado cerca de R$ 53 bilhões, número semelhante ao de 2010, desempenho que será garantindo em grande medida pelo setor de transportes.
Os números oficiais, de janeiro a maio, indicam que os desembolsos da Finame somaram R$ 21 bilhões, com alta de 5% em relação a igual período de 2010. O segmento transporte respondeu por desembolsos de R$ 12,4 bilhões, alta de 11% sobre idêntico período do ano passado. Nos caminhões, os desembolsos totalizaram R$ 9,8 bilhões, com aumento de 7% sobre janeiro a maio de 2010. Nos ônibus, o crescimento foi de cerca de 20% e em aeronaves, de 33%. A categoria outros transportes, que inclui vagões ferroviários, registrou crescimento de 100% nos desembolsos de janeiro a maio de 2011, na comparação com os mesmos cinco meses de 2010.
Cláudio Bernardo Guimarães de Moraes, superintendente da área de operações indiretas do BNDES, disse que o crescimento na demanda por caminhões registrada no primeiro semestre pode se relacionar com a entrada em vigor, em 2012, da norma Euro 5 (sobre emissões de poluentes), que deve aumentar os preços dos caminhões entre 5% e 10%, estimou. Haveria, portanto, uma antecipação de investimentos nesse setor.
Em cinco meses de 2011, só houve crescimento nos desembolsos para compra de caminhões entre as microempresas. De janeiro a maio, o desembolso para as micros comprarem caminhões somou R$ 3,64 bilhões, com alta de 24% sobre igual período do ano passado. Nos demais segmentos, houve queda no mesmo período para pessoa física (1%), média empresa (2%) e grandes empresas (1%), e estabilidade nos repasses para pequenas empresas.
O desempenho no financiamento para caminhões foi diferenciado dentro da Finame. Enquanto na Finame tradicional, o desembolso para pessoas físicas e microempresas comprarem caminhões subiu 76% de janeiro a maio, as aprovações dentro do Pró-Caminhoneiro, programa com taxas de juros fixas para caminhoneiros autônomos, caiu 79%. O programa registrou forte desaceleração como resultado do aumento da taxa de juros, que subiu de 4,5% para 7%.
Moraes disse que houve antecipação na compra de caminhões, antes do aumento da taxa de juros do programa, que passou também a exigir a contratação de um seguro via Fundo Garantidor do Investimento (FGI), o que aumentou os custos finais do empréstimo. Moraes acrescentou que também cresceram as operações na Finame, com juros de 10% ao ano, para compra de ônibus. O aumento se relaciona com a renovação das frotas de ônibus nas grandes cidades brasileiras.
FONTE: Valor
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