Facchini

Mais de quatro mil caminhões seguem parados em Três Cachoeiras

Mesmo após sindicatos e associações que representam caminhoneiros terem aceitado termos da proposta do governo federal para colocar fim aos protestos da categoria no país, a mobilização é mantida em pontos do Rio Grande do Sul. Em Três Cachoeiras, no Litoral Norte, cerca de quatro mil caminhões seguem parados no acostamento da rodovia e dentro da cidade reivindicando reajuste do preço do frete. Um oficial de Justiça notificou os manifestantes para liberação da rodovia.
Desde terça-feira à tarde, apenas carros de passeio, ônibus, cargas com animais e com equipamentos hospitalares são liberadas. O restante dos caminhões, carregados inclusive com produtos perecíveis como frutas, carnes e hortaliças, são parados por caminhoneiros que lideram o protesto. O bloqueio em diversos pontos do Estado já provoca desabastecimento de produtos em algumas regiões.
Na BR-101, a passagem de caminhões é interrompida próximo ao quilômetro 10 da rodovia, no sentido Santa Catarina-Rio Grande do Sul. Na pista contrária, o bloqueio é feito no quilômetro 38. Mesmo com alguma resistência, caminhoneiros acabam tendo que parar no local, onde são orientados a estacionar dentro da cidade.
Para tentar chegar a um acordo com a categoria, o governo se comprometeu a sancionar sem vetos a Lei dos Caminhoneiros, não reajustar o preço do diesel nos próximos seis meses, facilitar o financiamento de caminhões e criar uma mesa de negociação entre empresas e profissionais para estabelecer uma tabela com valores mínimos para o frete. Apesar de aceita por sindicatos e associações da categoria, que prometeram pedir aos motoristas que voltassem ao trabalho nesta quinta-feira, a proposta não agradou o Comando Nacional do Transporte e caminhoneiros mobilizados nas estradas.
— Só voltaremos ao trabalho se o diesel baixar nos postos. Não temos condições de continuar na estrada desse jeito — reclama o caminhoneiro autônomo Reginaldo Petry, 51 anos, de São Leopoldo.
Carregado com carga de bolacha, o motorista Robson Vaz, 38 anos, de Caxias do Sul, é um dos profissionais que ajuda a parar os caminhões que trafegam pela BR-101, no sentido Rio Grande do Sul-Santa Catarina, em busca de melhores condições de trabalho.
— Tive que vender minha carreta há dois anos e voltar a ser empregado. Eu não tinha mais como cobrir custos com o dinheiro recebido pelo frete. Tudo aumentou de preço — critica Vaz.
Parados em Três Cachoeiras há quase dois dias, os motoristas recebem ajuda dos moradores, desde água e alimentação até locais para tomarem banho. A mobilização é monitorada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), que intervém em eventuais casos de conflitos entre líderes da paralisação e motoristas que resistem a parar.
FONTE: Zero Hora 
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