Facchini

Caminhões: aumento de 8% a 10% nas vendas em 2013

O mercado brasileiro de veículos comerciais é extremamente importante para as marcas globais e vai continuar crescendo, concordam os participantes do painel "A Reação dos Veículos Comerciais", que debateu o cenário do mercado de caminhões e ônibus no IV Fórum da Indústria Automobilística, realizado por Automotive Business na segunda-feira, 1º, no WTC, em São Paulo, com a participação de Alcides Cavalcanti, diretor de vendas e marketing da Iveco; Bernardo Fedalto, diretor de vendas de caminhões da Volvo; Oswaldo Jardim, diretor de operações da Ford Caminhões; Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, marketing e pós-vendas da MAN Latin America; Roberto Leoncini, diretor-geral da Scania Brasil; e Tânia Silvestri, diretora de vendas e marketing de caminhões Mercedes-Benz.
A expectativa para 2013 é de aumento nas vendas de 8% a 10%, projetam os executivos. Para Tânia Silvestri, o crescimento estará alinhado à previsão de avanço do Produto Interno bruto (PIB), da ordem de 3%, e terá mais intensidade no segmento de pesados e extrapesados, principalmente por causa da safra recorde na agricultura e dos investimentos em infraestrutura. “Em 2011, as transportadoras anteciparam compras nesse segmento por causa da chegada do Euro 5, portanto esse foi o segmento que mais sofreu em 2012 e agora voltará a crescer”, avaliou. 
Para Alcides Cavalcanti, da Iveco, só os comerciais leves (abaixo de 3,5 toneladas de PBT) devem representar 35 mil unidades em 2012. “Somados aos 150 mil pesados, esperamos 185 mil unidades.” 
Oswaldo Jardim, da Ford, também mostra otimismo para o mercado de caminhões. “A Ford espera crescimento nos dois segmentos em que é forte, no de caminhões leves, até 8 toneladas, e também com os modelos 6x2 2423 e 2429, que são nossos carros-chefes”, disse. A montadora entrará no segmento de extrapesados no segundo semestre. “É um segmento muito disputado e vamos começar em alguns subsegmentos desse setor, que representa 28% da indústria de caminhões e nos interessa também por ter alto valor agregado.” Atualmente, a Ford tem 14,5% de participação no mercado de caminhões. 

DESAFIOS
Entre os desafios para o crescimento do setor, os representantes da indústria de veículos comerciais destacaram os problemas de infraestrutura e logística. Para Bernardo Fedalto, a questão precisa ser resolvida se o Brasil quiser ser competitivo. “O custo da infraestrutura está agregando custos aos nossos produtos e também aos clientes no transporte de carga”, comentou.
Alcides Cavalcanti lembrou da falta de profissionais do volante: “Com a demanda de carga, as transportadoras precisam de mais motoristas, devemos ter aumento de frota consistente para os próximos anos.” 
Tânia Silvestri acredita que, num primeiro momento, a lei dos caminhoneiros impactou negativamente, gerando falta de profissionais, o que deve melhorar, segundo ela, a médio e longo prazos. “A falta de motoristas também está ligada com outros fatores que desestimulam esses profissionais, como a defasagem em segurança, a pouca valorização da profissão e a lei vai nessa direção, a de ajudar a atrair novos profissionais.” 

MERCADO
O Brasil é o quarto maior mercado global e quinto em produção de veículos pesados. Bernardo Fedalto acredita que o País deva assumir posição melhor do que tem hoje por causa da crescente demanda do mercado interno. Roberto Leoncini, da Scania, enfatizou que se os problemas de infraestrutura forem resolvidos, com certeza o Brasil conseguirá subir uma posição.
Tânia Silvestri acredita que o segmento de caminhões pesados continuará com participação maior entre os veículos comerciais. Em 2012, eles foram responsáveis por 54,2% das vendas totais, enquanto os médios ficaram com 28% e os ônibus com 17,8%. Para ela, agricultura e pecuária vão continuar impulsionando esse desempenho. “Teremos mercado importante, com tendência de crescimento em todos os segmentos de caminhões por motivos diferentes”, avaliou Tânia. 
Ricardo Alouche, da MAN, acredita que em razão da melhoria dos processos de logística haverá maior demanda por extrapesados, mas nos centros urbanos permanecerão os veículos urbanos de carga (VUCs) e no transporte entre cidades, os veículos de médio porte. 
A executiva da Mercedes-Benz lembrou das novas marcas que estão chegando ao Brasil. “A grande barreira de entrada para os novos players é a rede de concessionários: o mercado de caminhões é complexo, o cliente não pode dispor de tempo do caminhão. A cobertura em território nacional é a chave para garantir o sucesso nesse mercado, pois o transportador não está disposto a deixar o caminhão parado, o que significa perder dinheiro.” 
Outra preocupação levantada no painel foi a idade da frota: 55% dos caminhões estão na mão dos autônomos e têm, em média, 21 anos. Para Bernardo Fedalto, da Volvo, a renovação é essencial e os principais entraves são o acesso ao crédito para proprietários de caminhões antigos e como fazer chegar um caminhão novo a um cliente de caminhão de 20 anos. “Ele não vai comprar no primeiro passo um caminhão zero. Vai comprar um de dez anos, enquanto o que tem um de dez anos comprará outro de cinco, e o de cinco vai comprar o caminhão zero”, elucidou.
Para Alcides Cavalcanti, não se achou caminho para a renovação da frota, seja pela Anfavea, seja pelo governo, pois a solução esbarrava na concessão de crédito ao autônomo, que não podia comprovar renda. “Com a carta-frete ele agora poderá comprovar. Isso é muito importante. Com a regulamentação da jornada dos motoristas será melhor. Antes, os autônomos concorriam com empresas, pois dirigiam mais. Com a mesma jornada para todos, a competitividade muda”, analisou. Cavalcanti acredita que os autônomos se unirão a empresas como agregados ou motoristas fixos. “A frota depreciada causa transtornos, quebras e isso aumenta o custo Brasil”, concluiu.
FONTE: Automotive Business 
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