Caminhoneiros fazem mercadoria refém e cobram resgate, dizem empresários

Preocupados com a demora da entrega de mercadorias, empresários do Distrito Federal dizem ter descoberto que caminhoneiros "sequestraram" os produtos em consequência da falta de pagamento por parte da empresa transportadora responsável pelo frete. O G1 ouviu dois empresários que relataram o caso. Eles afirmam que os próprios motoristas terceirizados da Rápido Transpaulo negociam o valor do "resgate" da mercadoria.
Segundo os brasilienses, o montante chega ao dobro do valor normal cobrado pelo frete para trazer os produtos do Sul até o DF. A situação se arrasta há quase dois meses, afirmam os empresários. O G1 não conseguiu contato com a Rápido Transpaulo.

'Sequestro'
Designer de sapatos e dona de uma loja em Brasília, Eunice Pinheiro esperava em abril a entrega dos sapatos confeccionados em uma fábrica no Rio Grande do Sul.
Segundo Eunice, a empresa informou que o caminhão foi sequestrado e que eles estavam negociando com o caminhoneiro. Ela afirma que depois de um tempo a empresa "parou de atender o telefone". A empresária não conseguiu localizar com qual motorista ficou a mercadoria e não teve mais resposta da empresa.
Ao completar um mês de atraso, ela fez um desabafo em uma rede social. “Já tem 30 dias que essa empresa diz que o caminhão foi sequestrado, com toda a carga, pelo próprio motorista. Porém, não resolve os problemas gerados a dezenas de empresas que esperam suas mercadorias!!!”
Em uma segunda postagem, Eunice conta que um homem ligou e cobrou dois fretes para a entrega, além de uma taxa por ter guardado a mercadoria por mais de 60 dias. Apesar disso, ele negou que fosse o caminhoneiro responsável diretamente pela entrega à empresária brasiliense.
Segundo ela, o homem relatou que os caminhoneiros da transportadora resolveram sequestrar as cargas porque a empresa tem dívidas com eles. No mesmo dia, ele enviou uma mensagem informando não ter encontrado as caixas e que continuaria procurando "nos outros caminhões que estão em poder dos amigos".
Caso de polícia?
A designer disse que procurou as delegacias do DF para tentar registrar a ocorrência, mas foi orientada a entrar com um processo judicial, pois a situação ainda não configurava crime. A Polícia Civil do DF não soube comentar o caso.
“Que garantias a gente tem? Vi que não temos nenhuma garantia com essas empresas de transporte. Ficamos desvalidos, sem proteção. Não tenho a quem recorrer. Fui à polícia, não adiantou. Tenho que ir pra Justiça, mas leva muito tempo. É uma situação de vulnerabilidade muito grande. Hoje eu ligo na empresa e eles nem atendem”, desabafa a empresária.
Eunice já contabiliza um prejuízo de mais de R$ 20 mil entre compra de material, mão de obra e outros gastos. “Poxa! Um mês antes eu fui para o Sul, gastei com passagem, hotel, fui conhecer a fábrica. Então ainda tive esses gastos. Se for pensar tudo, eu tive perda de R$ 30 mil. Eu aluguei carro no Sul, alimentação. É muita grana pra uma empresa tão pequena.”
Mensagens trocadas
Nas mensagens trocadas com um dos motoristas, Eunice pergunta se há algum líder "coordenando o movimento" porque precisa localizar a carga. O interlocutor afirma que não tem um movimento, mas "são pessoas aleatórias".
O motorista afirma que no dia em que carregou o caminhão com mercadorias, ao menos outros seis caminhões também carregaram. Ele conta que "tem bastante caminhão espalhado por aí". Também confirma que são terceirizados da empresa.
Outro caso
Dono de uma malharia em Taguatinga, Edmilton Neves esperava a entrega de 400 rolos de tecido desde o dia 14 de abril para confecção de uniformes. A entrega vinha de Santa Catarina. Só deveria ter levado de sete a dias, mas ela só chegou nesta terça-feira (13) após negociação direta com o caminhoneiro.
O empresário contou que ao longo desses meses procurou a Rápido Transpaulo e descobriu que ela havia fechado. Temendo ficar sem a mercadoria, avaliada em R$ 97 mil, ele tentou reaver os produtos diretamente com o motorista.
Para a entrega da mercadoria, Neves já havia pagado para a transportadora um valor de R$ 3,8 mil, mas após o sumiço da carga, acabou desembolsando mais R$ 6 mil para o caminhoneiro.
FONTE: G1 
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