Exame toxicológico dobra preço da CNH para 270 mil motoristas de MS

A volta da obrigatoriedade do exame toxicológico para motoristas habilitados nas categorias C, D e E impacta diretamente 270 mil condutores de Mato Grosso do Sul que terão que realizar o exame na hora de renovar a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) e, com isso, gastar quase o dobro para validar o registro por mais cinco anos. São mais de 71 mil condutores nesta situação só em Campo Grande e o que a maioria não sabe é que o exame demora, custa caro e apenas 34 cidades de MS tem laboratórios credenciados.
Apesar disso, a volta da Lei nº 13.103, conhecida como a “Lei dos Caminhoneiros” já aumenta a busca pelo exame. A Analisa Diagnósticos (rua Rui Barbosa), que recebia 10 pedidos do tipo por semana, teve cinco só nesta sexta-feira (16), ao custo de R$ 290 cada. "Cresceu muito a procura, pois antes esse tipo de exame era realizado apenas por quem passa em concurso público e, também, por algumas empresas de transporte que fazem o teste em seus motoristas", explicou, por telefone, uma das atendentes.
Perto dali, na rua Rio Grande do Sul, a Hemoclin já recebeu mais de 20 ligações hoje, sendo que antes a demanda era de dois a três exames do tipo por semana. No local, o preço é mais salgado: R$ 550 e pagamento só à vista. O menor valor encontrado pela reportagem foi R$ 280, no laboratório Imunolab, na rua Sete de Setembro, 1150, região central de Campo Grande. Na Matter Diagnósticos (Av Fernando Corrêa da Costa, 1260) o exame sai por R$ 308 e na Sensus Medicina Laboratorial (Rua Pernambuco, 2758) o custo é de R$ 350.
Os valores impactam diretamente os condutores na hora de renovar a CNH, adicionar categorias ou mesmo tirar a primeira habilitação, lembrando que estão isentos os motoristas de carro e motocicletas (categorias B e A). Nos centros de formação de condutores, para renovar uma habilitação de categoria C, D ou E os preços variam de R$ 360 a 450. Considerando que o exame toxicológico vai onerar cerca de R$ 300 essa conta, o valor final será quase o dobro do que era cobrado antes da exigência que busca aumentar a segurança nas estradas.

Rede credenciada 
Em Campo Grande, 21 laboratórios credenciados constam na lista do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) e no interior do Estado não existem laboratórios aptos em 45 municípios, onde motoristas não poderão fazer o exame que passou a ser exigido novamente nesta semana, após derrubada a liminar que suspendia sua obrigatoriedade. No Denatran, todos os laboratórios da lista foram credenciados esse ano, já que o exame passou a ser exigido há nove meses, antes da suspensão.
Em Mato Grosso do Sul, os laboratórios conveniados são, na verdade, apenas postos de coleta, uma vez que as amostras de cabelo (ou pelos) coletadas para saber se o condutor usou drogas ilícitas são enviadas para centros de análises em outros estados. Daí o longo tempo de espera: média de 15 dias, podendo chegar a 17 dias úteis na Labormed, ou até 20 dias no Laboratório Osvaldo Cruz, ambos na Capital.
Na maior parte deles, o preço varia entre R$ 290 e R$ 300 e o parcelamento geralmente só pode ser feito pelo site da empresa que de fato analisa o material - a maioria localizada nos estados de São Paulo e Paraná. O exame em si custa, em média, R$ 250, e os R$ 40 restantes são referentes à "taxa de coleta". Porém, dependendo do laboratório, pode haver diferença. Na Multilab (rua Dom Aquino, 2339), a taxa de coleta custa R$ 60 e o exame (R$ 250) é feito pelo Laboratório Sodré, com sede em Lins, no interior de São Paulo.

Fora do Estado 
Em todos os laboratórios procurados informação é a mesma: este procedimento não é feito em Mato Grosso do Sul e, invariavelmente, a coleta segue para análise em outras regiões. Se de um lado a norma aumenta o tempo de espera e o custo para os condutores, do outro, promete movimentar milhões entre os laboratórios. Nos próximos cinco anos (tempo vigente de uma CNH), os laboratórios de MS devem movimentar mais de R$ 8 milhões nas renovações dos 270.298 habilitados nas categorias C, D e E, sem contar os novos motoristas, as adições de categoria, além da reabilitação daqueles que perdem o direito de dirigir.
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