Sem escolta, carga especial fica parada

Na fábrica da Weg em Joaçaba (SC), carretas com 20 metros de comprimento, 3,20 metros de largura e três pré-distribuidores de energia estão paradas desde o dia 18 de julho. Carregadas com os equipamentos produzidos para uma usina hidrelétrica em Santa Helena de Goiás (GO), elas precisam ser acompanhadas por batedores da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no trajeto de 1.350 quilômetros, sobretudo em estradas não duplicadas.
Sem dinheiro para gasolina e diárias dos policiais durante a viagem, prevista para durar 12 dias, a PRF suspendeu os acompanhamentos a essas cargas especiais, entre outros serviços. Para cada um dos pré-distribuidores seriam recolhidos R$ 11 mil, pagos à PRF. As guias, porém, não puderam ser emitidas porque o sistema foi tirado do ar.
Em Jaraguá do Sul (SC) e nos portos de Itajaí (SC) e Pecém (CE), a situação se repete: são mais 36 geradores para parques de energia eólica que estão prontos ou começaram a fazer navegação de cabotagem e ficaram parados no caminho. “Tentamos várias alternativas, mas nenhuma delas foi atendida”, afirma Clécio Zucco, diretor de logística da WEG. Entre elas, negociações dos sindicatos de transportadoras com a PRF, mandados de segurança impetrados e orçamentos de escoltas privadas, não autorizadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT). “Os clientes começam a falar em cobrar multas por descumprimento de contrato.”
Sem café
Na PRF, que já havia sofrido um corte de 10% no orçamento de 2017 sobre o do ano anterior, o anúncio de um contingenciamento de mais 43,6% significou menos serviços. “A PRF reviu contratos, negociou com terceirizados e fez campanhas para redução de contas de consumo”, diz Diego Fernandes Brandão, porta-voz da corporação. “Mas quando o orçamento foi de R$ 470 milhões para R$ 236 milhões, foi necessário cortar.”
Na prática, desde junho, o horário de funcionamento dos postos da PRF deixou de ser das 8h às 18h para abrir das 9h às 17h. O objetivo é reduzir as contas de consumo. As atividades de patrulhamento também acabaram: os policiais agora ficam parados, nos postos e só saem em caso de emergência. Os voos de helicópteros foram suspensos, sendo que os pilotos passaram a trabalhar em funções policiais, no solo.
O acompanhamento de cargas seguiu o mesmo movimento, mesmo sendo pago pelo usuário. Como os valores recolhidos acabam no caixa do Ministério da Justiça, eles não são repassados à PRF para que o serviço possa ser prestado.
FONTE: Estadão 
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