História de vida: De caminhoneiro a dono de transportadora

"Nasci em 1952, na cidadezinha de Itarana, região Serrana do Espírito Santo. Quando eu tinha 12 anos, meu pai faleceu. Nossa família era bem pobre, muito humilde, e minha mãe não tinha condições de criar sozinha todos os filhos. Ficamos em sete irmãos, todos pequenos, sendo que o mais velho era eu, com apenas 12 anos. A caçula tinha nascido há apenas quatro meses. Como minha mãe não conseguiu dar conta de cuidar dos filhos todos, ela mudou para o patrimônio de Santo Antônio, em Santa Teresa. Foi morar junto com o pai dela. Nessa época comecei minha vida no trabalho. Com 13 anos fui trabalhar roçando pasto em uma fazenda de gado.
O trabalho era bem pesado, e debaixo de sol forte, para uma criança. Logo depois arrumei um carrinho de mão, comprava os cachos de banana, despencava e saía vendendo. Sempre com muita dificuldade, mas conseguia arrumar algum dinheiro. Com 13 anos já tinha a responsabilidade de levar dinheiro para casa para ajudar os meus irmãos. Passado um tempo fui chamado para trabalhar de ajudante de ferreiro, fazia foices, facão...
Depois, fui para Colatina, com uma tia minha, para trabalhar como vendedor de picolé. Fiquei lá por mais de um ano. Depois, vim visitar um tio meu, em Vitória. Ele me chamou para morar com ele e para trabalhar como ajudante de carro. Foi quando ele prometeu tirar minha carteira de habilitação. Morei com ele um ano, mais ou menos. Aí o meu primeiro emprego foi na Transportadora Santa Luzia, em Cariacica.
Depois fui para Governador Valadares, a pedido da empresa. Tirei minha carteira com 18 anos e com 19 anos estava mudando para Minas, sempre pensando em melhorar minha vida e de meus irmãos. Fiquei nessa empresa de 1972 até o final de 1975, até que fizeram um acordo comigo e venderam um caminhão para mim (modelo 1113).
Comecei a viajar. Trabalhava para uns e outros, rodando, sempre juntando dinheiro para ajudar a família. Em 1988, eu me casei, aí vim para Vitória. Consegui trazer todos os meus irmãos para morar comigo. Minha esposa criou eles igual filhos. Um foi sócio meu e outro trabalha comigo até hoje, como gerente de manutenção.
Eu já trabalhava daqui para Salvador e para o Nordeste inteiro. Depois desse caminhão, em 1980 comprei minha primeira Scania, modelo 1976. Aí comecei a trabalhar com a Transomar, em Domingos Martins. Comprei uma carreta e comecei a viajar, eu mesmo dirigindo. Depois, comecei a trabalhar junto com um irmão meu. Ele trabalhava nesse caminhão. Nessa empresa fui até 1996. Depois, eu passei a prestar serviço na ArcelorMittal, onde estou até hoje. Mas minha transportadora, a Saulo Transportes, foi em 1987 que fundei, junto com meu irmão, e até 1990 fomos sócios.
Em 2012, eu assumi a empresa, com a ajuda dos meus filhos. Hoje minha situação é muito boa. Em agosto, faz 21 anos que presto serviço na ArcelorMittal. Minha empresa faz viagens para todo o Brasil. Ao todo, nossa empresa tem mais de 80 caminhões e carretas. Acredito que esse crescimento se deve a muito trabalho, confiança e muita parceria. Tem que ser muito certo nos negócios. Tenho que agradecer muito aos parceiros.

“Valeu a pena”
Quando olho para trás, vejo como a vida é difícil, mas também como tudo vale a pena. Comecei muito cedo. Na minha época, para estudar, eu andava uma faixa de cinco quilômetros a pé. Na época, não tinha condução.
Como meu pai morreu novo, eu não pude estudar. Foquei somente em trabalho, até porque eu tinha que cuidar dos meus irmãos. Mesmo eu sendo novo, me preocupava com meus irmãozinhos, todos pequenos. Com 13 anos já tinha responsabilidade para arrumar dinheiro para cuidar deles. Nessas condições fiz apenas até a quarta série do primário.
Hoje tenho três filhos e dois netos. Luana, 26 anos, formada em Turismo. O Cesar, de 30 anos, é formado em Engenharia de Produção. É ele quem gerencia meu contrato na ArcelorMittal. Um terceiro filho, o mais velho, seguiu o mesmo caminho e hoje também viaja. Estou com 64 anos. Tem vários momentos em que a gente passa dificuldade e até pensa em desistir, mas arruma forças. Hoje, tenho cerca de 100 funcionários na empresa e mais de 80 veículos."
FONTE: Gazeta Online 
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1 comentários:

  1. Boa tarde!
    Me emocionei muito com sua historia, parabéns, espero algum dia nas minhas viagens, poder conhecer o senhor pessoalmente...!
    Sou motorista estradeiro também,
    Um grande abraço, tudo de bom e até breve...
    David Sousa

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