Proposta acaba com exame toxicológico pelo ‘fio de cabelo’ para renovar carteira

Projeto de lei que tramita na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) pode livrar da exigência do chamado exame do “fio do cabelo” os motoristas que precisem tirar ou renovar a carteira de habilitação profissional. O exame serve para constatar consumo de substâncias psicoativas por até 90 dias antes de sua realização. Pela proposta (PLS 453/2016), a análise toxicológica continuará existindo, mas caberá ao Conselho Nacional de Trânsito (Contran) normatizar os padrões aplicáveis.
O autor é Pastor Valadares (PDT-RO), senador suplente que registrou a proposta ao fim de 2016, durante período em que substituía o titular da vaga, Acir Gurgacz, também do PDT. Na CCJ, a matéria receberá decisão terminativa. Com isso, se for aprovada, poderá seguir diretamente para análise na Câmara dos Deputados, a menos que haja recurso de senadores para que a votação final seja em Plenário.

Janela de detecção
A exigência que o autor do projeto quer retirar do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) refere-se ao exame para análise de consumo de substâncias psicoativas “com janela de detecção mínima de noventa dias”. Esse padrão de exame passou a ser obrigatório com a vigência da Lei 13.103, de 2 de março de 2015, que alterou o CBT.
A medida, que motivou revolta entre motoristas à época, aplica-se aos condutores das categorias C, D e E, para quem vai tirar ou renovar a carteira, mudar ou adicionar uma categoria. Afeta, portanto, profissionais dos segmentos do transporte de carga, como os caminhoneiros, e também os de transporte de passageiros, como os condutores de ônibus e vans.
Pastor Valadares explica, na justificação do projeto, que o texto da lei não cita o nome da técnica laboratorial a ser empregada para constatar possível consumo de drogas – normalmente, substâncias estimulantes que muitos motoristas usam na tentativa de vencer o cansaço das longas jornadas de trabalho.
Porém, como observa, ao exigir resultado para consumo com “janela mínima de 90 dias”, a lei acaba restringindo o exame somente à análise da queratina obtida a partir de amostras de cabelo, pele e unha. O motivo, explica ele, é que essa é a única técnica que permite detectar o uso de substâncias psicoativas dentro do prazo estabelecido.

Limitações
O problema, segundo o autor do projeto, é que a técnica do exame de queratina tem limitações, entre elas o alto custo logístico, pois a análise do material é realizada apenas no exterior e por poucos laboratórios, o que implica menor concorrência. Além disso, ele destaca o risco dos chamados resultados falso-positivos, devido à maior exposição das unhas e dos cabelos à contaminação por substâncias presentes no ambiente.
“Ressalte-se, ainda, que o Departamento de Transportes do governo norte-americano recomenda a utilização do exame de urina para o rastreamento de condutores que tenham usado drogas”, observa Pastor Valadares.
Os exames mais comuns no Brasil para detecção de drogas são feitos a partir da análise de urina, sangue ou saliva. Nesse caso, o resultado pode identificar se houve a utilização de drogas apenas em um período máximo de cinco dias antes da coleta.
Ao contestar o novo exame, tendo por base a queratina coletada do fio do cabelo ou da unha, os motoristas brasileiros mencionavam não apenas o problema do alto custo, que varia em torno de R$ 400,00. À época, eles argumentaram que a medida era discriminatória ao recair apenas sobre categorias específicas de condutores de veículos.
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8 comentários:

  1. Mas então! A partir de quando não será mais obrigatório?

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  2. Nao to entendendo, esse exame só afeta quem usa droga. Quem nao usa nao tem problema nenhum

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    1. O problema não é fazer o exame e sim o custo , uma habilitação para renovar não custava nem 200 agora com esse exame vai para quase 600 , um roubo

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    2. O problema é fazer o exame sim. as pernas empipocam toda. para que?

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    3. Ah é? tenho uns amigos que deram falso positivo. nunca usaram droga.

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  3. Tá, e quem pagou pra fazer o exame como fica ? Vai perder, claro. Da nesma maneira que perdeu que comprou os Kits de primeiros socorros, quem comprou o extintor ABC etc. É o estado sempre roubando o trabalhador. Difícil nesse país é saber ao certo quem não é bandido porque a bandidagem já começapelo poder público !

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  4. O poblema do falso positivo é facil de resolver com a contra prova, e quanto ao custo, este sim podemos reclamar e pedir um desconto. Vejam bem que desde que o exame foi exigido o número de acidentes abaixou e motoristas drogados fora do volantes, vai me dizer que você não se sente mais seguro?

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  5. Só não concordo em exigir só das Categorias C,D,E, tinha que exigir de todas categorias, quem acha 300 para fazer o exame caro, não imagina o valor pago por um tratamento de acidente ou velorio causado por um Drogado.Ainda continuo pensando que é melhor previnir do que remediar,tudo que for feito pra tornar o trânsito mais seguro e bem vindo.

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