Projeto com preço mínimo de frete gera divergência

Mesmo com muita pressão por parte dos caminhoneiros e motoristas do país, produtores e representantes de logística vão enviar ao ministro da Agricultura, Blairo Maggi, uma carta pedindo para que ele se manifeste contra o projeto de lei que cria uma tabela de preços mínimos para o frete. A decisão foi tomada nesta quarta, dia 8, durante a reunião da Câmara Temática de Infraestrutura e Logística do Ministério da Agricultura em Brasília.
O projeto de lei que estabelece preços mínimos para o frete já foi aprovado na Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados e está pronto para ser votado no plenário da casa. Para o presidente da câmara temática, Edeon Vaz, estabelecer o preço mínimo seria um erro. “O preço mínimo para fretes não funciona porque o frete é o que melhor representa a lei de mercado. Se você tem muito caminhão e pouca carga, o preço cai. Podemos até ter um preço de referência, o que seria suficiente para que o caminhoneiro pudesse satisfazer as suas necessidades”, disse.
Outro assunto debatido no encontro foi a medida provisória que prorroga as concessões de rodovias, ferrovias e aeroportos, editada no fim do ano passado pelo governo federal. O texto está no Congresso e tem o objetivo de renovar contratos que estão vencidos ou prestes a vencer. No entanto, segundo o presidente da Associação Nacional dos Usuários de Transportes, Luis Henrique Baldez, a Medida Provisória não atende aos interesses do setor, que quer o fim do monopólio das ferrovias.
“Só quem opera hoje uma via é a própria concessionária. Então, o usuário, o dono da carga, não tem alternativa. Como não tem competição, o custo ferroviário hoje é muito alto, então o que nós estamos sugerindo é que quebre o monopólio, colocando outros operadores ferroviários naquela linha. Pelos nossos estudos, se a empresa compartilhar a via, o frete cairia 25%”, disse.
Concorrência internacional
O governo de Santa Catarina participou da reunião e apresentou planos de efetivar um novo corredor do milho na região. A ideia é buscar o grão da Argentina e do Paraguai, e não mais de Mato Grosso, para reduzir os custos com transporte. A distância até o estado do Centro-Oeste é de 1.100 quilômetros, enquanto o trajeto até os outros países não chega a metade disso.
Para conseguir executar o plano, o governo federal vai ter que ajudar. Segundo o secretário de articulação nacional de Santa Catarina, o estado precisa de verbas para revitalizar uma ponte entre Paraíso, no Brasil, e San Pedro, na Argentina. Ele também espera apoio do Poder Executivo para facilitar a liberação de cargas nas fronteiras.
“Nós temos duas preocupações: a primeira é manter o agronegócio com competitividade e a segunda é manter o produtor de Santa Catarina vendendo seu produto em condições econômicas passíveis que ele fique no campo”, falou o Secretário de Articulação Nacional de Santa Catarina, Acélio Casagrande.
FONTE: Canal Rural 
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