Prejuízo com roubos de carga passou de R$ 1,2 bilhão no Brasil em 2015

A GloboNews teve acesso, com exclusividade, a um relatório que mostra um panorama dos roubos de cargas pelo Brasil. O estudo mostrou que só em 2015, as perdas com os roubos passaram de R$ 1 bilhão no país. O Rio é o segundo na lista das cidades com mais roubos, mas a primeira em prejuízos. No bairro da Pavuna, as empresas amargam as maiores perdas.
Nesta segunda-feira (31), por exemplo, uma carga avaliada em R$ 15 milhões de cigarros em três caminhões foi alvo de bandidos que trocaram tiros com os vigilantes que escoltavam a carga. Um motorista que passava no momento acabou baleado e não resistiu. Um dos motoristas que levava o caminhão foi levado para uma favela da região, mas a polícia conseguiu resgatá-lo junto com parte da carga.
Em plena luz do dia, bandidos armados abordam caminhoneiros nas estradas de todo o Brasil. A cena já é bastante comum. Os motoristas ficam sob a mira dos criminosos, enquanto o que está na caçamba do caminhão é levado. 
Para o motorista Alexandre Souza, que já tem 15 anos de profissão, foi ainda pior. Em 2010, quando ele parou o caminhão para fazer uma entrega em um mercado na Zona Norte do Rio de Janeiro, os bandidos mandaram que ele e o ajudante entrassem em outro carro, e os dois foram levados para uma das favelas mais perigosas da cidade. Enquanto eles eram feitos reféns, os criminosos esvaziaram todo o caminhão.
Alexandre tem 43 anos e trabalha para uma empresa de transportes que fica na Pavuna, o bairro onde os prejuízos por causa do roubo de cargas de alto valor, como eletroeletrônicos por exemplo, são os maiores do mundo. Só no estado do Rio de Janeiro, em 2015, foram registrados 4.424 roubos de cargas, segundo o Instituto de Segurança Pública do Estado.
Estatísticas da NTC e Logística, que fornece informações para a Confederação Nacional do Transporte, mostram que de cada 10 mil viagens no país - que podem ser feitas em um mesmo dia - seis, necessariamente, serão alvos de criminosos. E o número não para de aumentar. Nos dados da NTC, é possível ver um aumento de assaltos ano após ano.
Em 2011, foram 13 mil roubos. Nos anos seguintes, houve crescimento. E no ano passado, o país registou mais de 19 mil roubos de cargas, com um prejuízo recorde, calculado em R$ 1,12 bilhão.
O diretor de risco desta seguradora diz que em 2016, os números vão ser ainda maiores.
“Houve sim um aumento nas ocorrências, mas especialmente na severidade dos eventos. Elas tentam racionalizar os transportes, aumentar a produtividade do transporte. Os prejuízos aumentaram substancialmente”, afirma Darcio Centoducato, diretor de gestão de risco. 
Um levantamento da seguradora mostrou que a cidade de São Paulo aparece no relatório com o maior número de roubos de cargas em 2015, mas em termos de prejuízos, o Rio de Janeiro lidera esse ranking. Depois de Rio e São Paulo, Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, Belém e Recife aparecem na lista.
Na divisão por regiões, o Sudeste aparece em primeiro lugar, com mais da metade dos roubos de cargas no Brasil, e com perdas enormes, de quase 70%. A região Nordeste vem em seguida, com 20% dos assaltos. A região Sul tem 10%, Centro Oeste 6% e o Norte do país, 6%.
O estudo mostra ainda que o que mais se rouba no Brasil são alimentos, seguidos de combustíveis, eletroeletrônicos, medicamentos e celulares.
Para o diretor de risco, o índice de recuperação de cargas no Rio é quase zero. Ele afirma que o que as empresas têm feito é investir na prevenção.
O delegado Marcelo Martins, da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas / RJ, explica que os roubos são feitos por quadrilhas especializadas neste tipo de roubo e que a Pavuna é um local crítico por uma questão geográfica e logística. “Todo o eixo rodoviário do Rio de Janeiro passa ali e as empresas se estabeleceram ali”, explica. Ele conta ainda que existe uma investigação sobre os receptadores destas cargas: “Na verdade, só há o roubo de carga porque há um mal comerciante. Nós identificamos um grande empresário da Barra da Tijuca que tem um complexo gastronômico que foi um grande receptador e distribuidor das cargas roubadas”, explica. O doutor Marcelo orienta que toda empresa tenha um setor de inteligência ou segurança para a troca de informações com a delegacia. 
O relatório aponta ainda que os criminosos preferem agir pela manhã, de preferência às sextas-feiras, e em meses de alta temporada ou férias escolares.
FONTE: Globo News 
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