Cuidado com a marcha ré na Vanderléia

Para semirreboque com eixo distanciado (carreta “Wanderléia”) a condição de “autodirecional” é proporcionada pela instalação da “rala giratória” em um dos eixos (normalmente o 1º). O mecanismo desse eixo é dotado de sistema de auto-alinhamento quando em movimento retilíneo à frente. Durante uma manobra o eixo executa o esterçamento unicamente por força do atrito dos pneus com o pavimento, e alinha-se automaticamente quando o veículo retorna ao movimento retilíneo para frente.
Esse auto-alinhamento se dá em função da excentricidade entre o centro do eixo e o centro da rala giratória. Como o centro do eixo está posicionado para trás do centro do giro da rala, ele se alinha automaticamente no movimento retilíneo à frente (como as “rodinhas” de um carrinho de supermercado).
No entanto, em movimento reverso (marcha à ré), o eixo autodirecional deve ser automaticamente levantado. Caso contrário tenderia a girar 180º em função dessa excentricidade, o que por questões construtivas seria impossível. Quer esteja vazio ou carregado, ao engatar-se ré, o 1º eixo é automaticamente levantado.
Até aqui tudo certo!
No entanto, é importante saber que: ao levantar-se o 1º eixo na condição carregado, elimina-se um apoio no piso, e a estrutura da carreta passa a ser submetida a esforços muito maiores que na condição com os 3 eixos no piso.
Praticamente dobra-se o Momento Fletor na região, e o ponto crítico desloca-se pouco para trás, conforme ilustra o gráfico acima (em azul com 3 eixos no piso e em vermelho com 1º eixo suspenso).
Para as carretas convencionais (com chassi) pode-se observar uma deformação extra (o chassi “sela”), mas normalmente retorna quando o 1º eixo volta para o piso.
No entanto, o maior risco está nos tanques longos autoportantes e de parede fina!
Ao levantar-se o 1º eixo com o tanque carregado, praticamente dobram-se as solicitações na região central do tanque. O aumento das tensões pode provocar, nessa região, desde pequenas trincas até a ruptura do costado.
O grande risco de colapso tem como início a região superior do costado do tanque. Explico: dependendo da intensidade da compressão no topo do tanque, pode ocorrer a flambagem (“buckling”). Ao deformar-se no topo, provoca-se o colapso da região inferior, abrindo o costado do tanque e vazando toda a carga!.
Recomenda-se que os projetos considerem essa situação e reforcem a região central desses tanques, com utilização de chapas de maior espessura ou com chassi externo.
O que podemos recomendar para os condutores:
- Evite suspender o eixo ou engatar marcha à ré na condição carregado de qualquer carreta com eixo distanciado;
- Semirreboque tanque com parede fina e eixos distanciados: jamais execute marcha à ré (ou suspenda o 1º eixo) na condição carregado.
Fica o alerta!

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2 comentários:

  1. Ao invés de colocar eixo eletronicamente direcional, economizam com esses autodirecionais. Um eletronicamente direcional não precisaria ser erguido o que faz com que os eixos restantes ganhem um excedente de carga que por sua vez aumenta o arrasto, danos aos próprios pneus, eixo e torção maior na carroceria.
    Outra, sendo eletronicamente direcional, é possível implantar mais eixos direcionais atuantes tanto para frente quanto para trás, o que reduz desgaste de pneus e raio de curvatura. Em velocidades mais quando a estabilidade passa a ser um problema, os eixos podem ser travados a partir de determinada velocidade.

    Tecnologia, há, inclusive na última FENATRAN, empresa nacional lançou sua versão de eixo eletronicamente direcional. Não utilizam porque não querem. Na Europa, bitrens e rodotrens utilizam dessa tecnologia para reduzir desgaste de pneus, raio de curvatura, etc.

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    1. Corretíssimo! Tecnologia resolveria

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