Quase 2 milhões de caminhões movimentam a economia do país

Dados de abril deste ano do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) retratam uma frota nacional de 92 milhões de veículos, entre motos, ônibus, caminhões e carros de passeio. O cruzamento de registros do órgão e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2013 revelam ainda que o Brasil tem um automóvel para cada 4,4 habitantes. Outra estatística que cresce a cada ano é o número de condutores que passam a disputar espaço nas ruas e rodovias do país. Conforme o Registro Nacional de Condutores Habilitados (RENACH), disponibilizado pelo Denatran, apenas em junho deste ano foram emitidas 63.872.451 carteiras de habilitação para todas as categorias no país.
Entre os brasileiros que se deslocam diariamente, ficam presos em congestionamentos e se arriscam em estradas malconservadas, estão profissionais cuja matéria-prima é, justamente, o trânsito. Taxistas, maquinistas, entregadores de pizza, motoristas de ônibus e de van escolar; são eles que transportam sobre rodas, literalmente, a economia do país. Para compreender mais a fundo quem são essas pessoas e quais as jornadas de trabalho que possuem, a Perkons inicia com esta matéria, a série “De carona”, dedicada aos trabalhadores que estão atrás do volante. Para abrir a produção, os protagonistas são os caminhoneiros, envolvidos com o modal de maior atuação no país no transporte de cargas: o rodoviário.
São mais de 1,7 milhão de quilômetros de rodovias no país, conforme aponta o Departamento Nacional de Transportes Terrestres (DNIT), dos quais 7% federais, 15% estaduais e 78% municipais. Ainda que não sejam utilizadas exclusivamente por caminhoneiros, são essas vias que interligam estados e promovem o fluxo contínuo de transporte de cargas. Tão relevante quanto os trajetos, são os profissionais que os percorrem. Prova disso é a existência de três datas em homenagem à categoria. Ao lado de 30 de junho e 16 de setembro, o dia 25 de julho é o mais comemorado pela classe, por também celebrar São Cristóvão, protetor de todos os transportadores.
Segundo José Lopes, presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) – que representa o interesse de mais de 500 mil caminhoneiros autônomos do país -, o modal rodoviário representa uma atuação de 61% no transporte de cargas do país, participação que contribui para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e para a expansão das fronteiras agrícolas. “No Brasil, os outros modais ainda sofrem fortes restrições de capacidade, o que coloca ainda mais peso e pressão na demanda rodoviária”, completa.
Lopes afirma que para comportar adequadamente a carga depositada neste modal é preciso apostar, ainda mais, na malha rodoviária, sobretudo em um país de dimensões continentais como o Brasil. Isso potencializaria, inclusive, a competitividade do país no mercado nacional e na exportação de seus produtos. “Mesmo com todo investimento privado e grande esforço gerencial, ficará cada vez mais difícil alcançar uma boa prestação de serviço por meio de nossas estradas, o que, consequentemente, impacta a renda e a qualidade de vida do caminhoneiro”, avalia.
Ainda que seja extenso o caminho para compatibilizar o setor à demanda atendida por ele, Lopes argumenta que a regulamentação do serviço do caminhoneiro, principalmente dos autônomos, revela avanços importantes. “Conseguimos instituir o vale pedágio, mas que ainda não é cumprido por todos os empregadores. Também obtivemos um sistema que controla o serviço de transporte de cargas, dificultando fraudes e a cobrança de valores indevidos aos caminhoneiros”, menciona.
Conhecida como Lei dos Caminhoneiros, a Lei 13.103/2015 alterou algumas normas para a categoria. Uma das principais mudanças consiste na limitação da jornada de trabalho, sendo vedado dirigir por mais de cinco horas e meia sem pausas, e a possibilidade de fragmentar as 11 horas de descanso, desde que oito delas sejam ininterruptas. Essas e outras alterações que buscam melhorias no setor de transporte rodoviário de cargas no país são debatidas pelo Fórum Permanente para o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), instituído pela Portaria nº 101/2015.
Pouco incentivados pelo governo, autônomos sobrevivem por amor à profissão
Mesmo diante da relutância do pai, que foi caminhoneiro a vida toda, Paulo Lanzoni decidiu abraçar o legado e seguir os prazeres e infortúnios da profissão como autônomo. Mais de três décadas de trabalho na estrada lhe renderam mais do que experiência no transporte de cargas. À frente de uma carreta de cinco eixos e com deslocamentos interestaduais na bagagem, Lanzoni elege o tempo longe da família como uma das piores adversidades do ofício. “Chego a ficar dez dias na estrada, mas alguns amigos passam mais de um mês fora. O apoio da família é fundamental”, conta.
Ao longo de sua jornada, o caminhoneiro se deparou com dias de alegria e tristeza, tendo encontrado amizades genuínas e presenciado fatalidades marcantes, como a morte de um companheiro de profissão. Para ele, embora a qualidade ruim das vias e a ausência de áreas de descanso para pernoite sejam empecilhos, a principal luta da classe, hoje, tem origem na falta de incentivo do governo. “Na época do meu pai, ser caminhoneiro tinha valor. Hoje, os juros altos e a falta de investimento em linhas de crédito fazem com que 80% dos caminhões de autônomos sejam sucateados. O valor alto do diesel e das autopeças também agrava a situação”, acrescenta. A realidade dura, porém, não tirou o brilho do ofício, e conferiu a ele uma certeza categórica: “Não há nada que eu saiba fazer melhor”.
Conforme levantamento da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) são 1.952.036 veículos cadastrados na frota dos transportadores que operam de forma remunerada em todo país, sendo 40% deles ocupados por profissionais autônomos. O número engloba de veículos automotores de carga – como caminhão leve e caminhão trator -, a implementos rodoviários – como reboque e semirreboque.
FONTE: SEGS
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