Fábricas de caminhão só usam 26% da capacidade instalada no Brasil

As vendas de ônibus e caminhões despencaram 31% de janeiro a abril, em relação ao primeiro quadrimestre de 2015. Foram vendidos no período 17,3 mil veículos pesados, segundo a associação de fabricantes (Anfavea).
Esse é o pior resultado para o quadrimestre desde 1999. Naquele ano, foram licenciados 15,6 mil caminhões.
Com as vendas em queda livre, a produção de caminhões chegou ao seu pior nível desde 2000. De janeiro a abril, as montadoras instaladas aqui fabricaram 20,3 mil unidades e, em 2000, esse número foi de 19,7 mil veículos.
Segundo a entidade, as montadoras de caminhões e ônibus estão utilizando somente 26% de sua capacidade instalada que é de 422 mil unidades por ano no Brasil.
A baixa utilização da capacidade preocupa a indústria, segundo Antonio Megale, presidente da Anfavea.

FLEXIBILIZAR EMPREGO
"Essa crise é muito profunda, se arrasta por mais de três anos. Não há como manter o nível de emprego sem medidas de flexibilização", disse o diretor de relações institucionais da Mercedes-Benz e vice-presidente da Anfavea, Luiz Carlos de Moraes.
A entidade defende que o Programa de Proteção ao Emprego (PPE) –que permite a redução de salário com redução da carga horária– seja política permanente. O programa deve terminar em 2017.
"É um bom programa, mas conseguimos reduzir a jornada de trabalho em até 30%. Com essa ociosidade acima de 70%, o que fazer com o restante?", pergunta Moraes.
O que vai melhorar as vendas de caminhões é a retomada da economia, segundo Megale. "Com as medidas econômicas certas, podemos notar uma recuperação da indústria no fim deste ano."
O diretor da consultoria Carcon Automotive, Carlos Reis, estima que há um represamento de vendas no mercado de caminhões de em torno de 50 mil unidades. Ele considera os caminhões com idade entre 5 a 10 anos.
"Melhorando a economia, o empresário tem a confiança necessária para realizar a renovação de sua frota."
Victor de Carvalho, diretor de vendas de caminhões da Scania, disse que as consultas estão voltando, mas a compra não se concretiza.
"Há clientes que nos dizem que, assim que tiver uma definição da situação política e econômica, no outro dia realizam a compra."
Ao todo, a produção de veículos caiu 25,8% de janeiro a abril. As montadoras fabricaram 658,7 mil unidades. Esse é o pior resultado desde 2004. As vendas caíram no período 27,9%,644,25 mil veículos.
FONTE: Folha de S.Paulo 
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