Transportadores sentem impactos da recessão

O PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil caiu 3,8% em 2015, frente a 2014, a maior queda desde o início da série histórica, iniciada em 1996. O resultado foi divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nesta quinta-feira (3).
A indústria teve baixa de 6,2% e os serviços reduziram 2,7%. Conforme os dados do IBGE, a categoria de transporte, armazenagem e correio teve contração de 6,5% em 2015, na comparação com o ano anterior. Somente a agropecuária teve resultado positivo, de 1,8%. O PIB per capita apresentou queda de 4,6% e ficou em R$ 28,8 mil.
“O transporte é diretamente ligado ao que produz e ao que vende. O ano de 2015 nos surpreendeu negativamente, porque sabíamos que o ano não seria fácil. Mas foi muito mais difícil do que se esperava”, diz o presidente da NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística), José Helio Fernandes. “Para 2016 temos, ao menos, que tentar ter um pouco mais de otimismo. Não que vá acelerar, mas, ao menos, que dê uma estabilizada a partir do segundo semestre”, complementa. 

Queda na demanda e demissões
Pesquisas realizadas pela CNT (Confederação Nacional do Transporte) revelam o impacto da recessão sobre os transportadores. No levantamento Perfil dos Caminhoneiros, que ouviu 1.066 caminhoneiros autônomos e profissionais contratados por empresas, 86,8% disseram ter percebido queda na demanda por seus serviços no ano passado e 74,1% citaram a crise econômica brasileira como motivo para o freio na atividade. Já a pesquisa Perfil dos Taxistas, que entrevistou 1.001 profissionais do país, destaca que 94,9% perceberam diminuição na demanda e 43,0% atribuíram o resultado à crise econômica.
Já a Sondagem Expectativas Econômicas do Transportador, realizada pela CNT junto a empresas de transporte de todos os modais, indica que 54% estimaram redução da receita bruta no ano passado, se comparado a 2014. De acordo com o estudo, 79,1% fizeram cortes no quadro de funcionários.
Plano de Recuperação Econômica
Em dezembro de 2015, a Confederação Nacional do Transporte encaminhou ao governo federal e aos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado o Plano CNT de Recuperação Econômica. As propostas são constituídas de dois pilares principais: Programa de Investimento em Infraestrutura 2015-2018, que prevê o forte incentivo à participação da iniciativa privada, e implantação do Programa de Renovação de Frota, que institui uma política de renovação e reciclagem da frota automotiva brasileira.
A estimativa é que o Programa de Renovação de Frota possa gerar pelo menos 285 mil empregos e  arrecadar  R$ 18 bilhões em tributos, contribuindo para o crescimento de 1,3% do PIB. Também reduzirá o consumo de combustível em 18%, além de proporcionar expressiva diminuição das emissões de poluentes.
Na área de infraestrutura, a Confederação defende a criação de um conselho gestor com representantes das áreas técnica, ambiental e política, com autonomia para analisar e aprovar projetos de infraestrutura com maior celeridade e prazo máximo definido. A CNT também aponta como necessária a desburocratização do processo licitatório por meio da ampliação do uso de RDC (Regime Diferenciado de Contratações Públicas).
Proporcionar segurança jurídica dos contratos vigentes e futuros e incentivar o uso de PMIs (Procedimentos de Manifestação de Interesse), com maior agilidade na constituição de projetos, levantamentos e estudos, também são medidas essenciais para o país.
Entre as sugestões está o conteúdo do último Plano CNT de Transporte e Logística, que prevê 2.045 projetos e R$987,2 bilhões em investimentos.  “Adotar essas medidas é o caminho para que o país consiga recuperar a economia e retomar o crescimento. O governo não tem capacidade de investir tudo que o país precisa para melhorar a infraestrutura de transporte. Com isso, a participação da iniciativa privada brasileira e estrangeira é fundamental”, diz o presidente da CNT, Clésio Andrade.

Nota do Ministério da Fazenda
No final da tarde desta quinta-feira, o Ministério da Fazenda divulgou nota sobre a queda do PIB. Leia a íntegra:
"O IBGE divulgou nesta quinta-feira (3) o resultado do PIB para 2015, apontando uma queda de 3,8%. O resultado decorreu da contribuição negativa da demanda doméstica de 6,5%, enquanto a demanda externa contribuiu com crescimento positivo de 2,7%.
A queda da atividade econômica em 2015 foi fruto de vários fatores: (i) a queda dos preços das commodities, (ii) a crise hídrica que resultou em problemas de abastecimento no primeiro trimestre do ano, (iii) os desinvestimentos da cadeia de petróleo, gás e construção civil, (iv) o realinhamento de preços relativos na economia; e (v) o ajuste macroeconômico necessário. 
Vários desses fatores não devem se repetir na mesma intensidade em 2016, de forma que, após ter absorvido plenamente seus efeitos, a economia poderá se estabilizar no terceiro trimestre e apresentar crescimento positivo a partir do quarto trimestre deste ano.
Alguns dos choques mencionados têm resultados positivos para a economia no longo prazo. O realinhamento de preços relativos, por exemplo, ajudou no reequilíbrio do setor externo. O ano de 2015 foi o primeiro desde 2006 em que o setor externo contribuiu de forma positiva para o crescimento."
FONTE: NTC&Logística 
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