Grupo Randon registra prejuízo de R$ 24,6 milhões em 2015

As Empresas Randon, de Caxias do Sul, apuraram prejuízo líquido de R$ 24,6 milhões em 2015 ante um lucro de R$ 202 milhões do ano anterior. O resultado deu-se em razão da queda de 18% na receita líquida, que totalizou R$ 3,1 bilhões, associada ao aumento no custo dos produtos vendidos. A participação destes custos na receita líquida passou de 75% para 79,3% na comparação entre os dois anos. O grupo também consolidou resultado financeiro negativo de R$ 43 milhões, em alta de 13% sobre o ano anterior. A receita bruta totalizou R$ 4,237 bilhões, queda de 22,4%.
Em seu relatório, a diretoria indica que ajustes e adequações feitas no ano passado devem permanecer até a estabilização da demanda em níveis razoáveis. Dentre elas, ajustes em despesas e custos, ampliação do esforço comercial nas exportações, redução nos investimentos e na necessidade de capital de giro, adequações no tamanho dos recursos empregados na produção, administração e vendas ao tamanho do mercado vigente, e foco no endividamento e na formação de caixa livre para os próximos trimestres.
A projeção para este ano é de receita líquida consolidada em R$ 3,2 bilhões, com exportações na ordem de US$ 290 milhões e importações em US$ 55 milhões. Os investimentos programados são na ordem de R$ 60 milhões, queda acima de 60% aos valores do ano passado, de R$ 161 milhões, que foram 29,5% superiores aos de 2014.
Em 2015, a Randon exportou o equivalente a US$ 158 milhões, recuo de 17,4% sobre o ano anterior. Segundo a empresa, mesmo com situação cambial mais favorável, as crises econômicas nos países dependentes de petróleo e commodities têm dificultado o aumento das vendas para o mercado externo. Quando transformadas em reais, as vendas externas apuram alta de 16%, somando R$ 523 milhões de receita bruta. Já o mercado interno teve recuo de 25,8%, totalizando R$ 3,7 bilhões de receita bruta.
Ao longo do ano, as Empresas Randon reduziram o quadro de funcionários em 20,5%, com o fechamento de 2.196 vagas. O total empregado no final de dezembro era de 8.536 pessoas. No relatório, a diretoria ainda cita que medidas para evitar maior número de dispensas foram tomadas no segundo semestre, como férias coletivas, paradas programadas, feriados prolongados e flexibilização de jornada.
Dentre as empresas do grupo, a Fras-le registrou crescimento de 14,4% em sua receita líquida no ano passado sobre 2014, alcançando R$ 875 milhões. O mercado externo participou com 51% do total, cinco pontos acima do registrado no exercício anterior. De acordo com o relatório da diretoria, a área externa consolidou R$ 446,1 milhões, em alta de 24,6%. Já o mercado interno somou R$ 428,9 milhões, crescimento de 5,5%. A fabricante de materiais de fricção, controlada das Empresas Randon, registrou lucro líquido de R$ 52,2 milhões, evolução de 15,9%. Ao longo de 2015, a Fras-le investiu R$ 39,5 milhões, em torno de 20% de alta sobre o ano anterior.
Empresa para produção em Guarulhos
A Randon informou que vai paralisar suas atividades industriais nas instalações de Guarulhos (SP), a partir de 8 de abril. A decisão, segundo a empresa, levou em conta a atual crise econômica que vem afetando a produção de veículos comerciais há três anos consecutivos. Segundo a companhia, o local continuará abrigando as áreas Comercial e de Suporte.
"O pior momento de vendas e produção dos últimos 15 anos no setor respalda a decisão de paralisação das atividades", destaca a empresa em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A Randon lembra que somente no último ano as vendas e a produção de caminhões, semirreboques e carrocerias sobre chassi recuaram perto de 50%. "Neste primeiro bimestre de 2016, o recuo persiste e os indicadores continuam apontando reduções. Será o terceiro ano consecutivo de recesso neste segmento industrial", afirma.
A unidade industrial da Randon em Guarulhos opera desde 1965. A companhia afirma que, em conjunto com seus funcionários, adotou diversas ações na tentativa de superar ou minimizar o forte impacto da instabilidade econômica objetivando manter a atividade industrial. A empresa ressalta, no entanto, que a prolongada retração econômica acabou por anular os efetivos ganhos com as inovações e até mesmo com os esforços de redução de despesas com pessoal como flexibilização de jornada de trabalho, férias coletivas e paradas prolongadas em feriados.
"Estas medidas não foram suficientes para compensar a queda de demanda por produtos que, ao mesmo tempo, tiveram seus preços reduzidos em decorrência de um cenário de competição mais acirrada", afirma a empresa.
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