O peso específico do transporte rodoviário de cargas

Além de atividade estratégica, o Transporte Rodoviário de Cargas é um dos mais importantes setores da economia brasileira, seja na geração de empregos ou em participação no PIB. A informalidade reinante no setor impede a determinação precisa desta participação, pela dificuldade de se conhecer a sua receita total, o que será resolvido em breve, com o uso obrigatório do conhecimento e manifesto eletrônicos de cargas, e com o “tagueamento” da frota de caminhões, por força do recadastramento no Registro Nacional da ANTT, ora em curso. Se não se pode precisar a receita, é possível estimar a despesa. E a partir desta chegar àquela.
A mão de obra e o óleo diesel representam cerca de 60% das despesas totais do setor, que gera algo como 5,6 milhões de empregos (diretos e indiretos), a partir da projeção conservadora de 3,5 empregos por veículo automotor de carga e de um ganho médio modesto de R$ 3,0 mil/mês, para cerca de 2 milhões de motoristas (relação de 1,25 motorista/caminhão), inclusive autônomos, e de R$ 1,2 mil/mês para os 3,6 milhões de trabalhadores restantes, Chega-se, assim, a um gasto total com pessoal da ordem de R$ 135 bilhões/ano, inclusive 13º salário.
Em 2014 foram consumidos 60 bilhões de litros de diesel no país. Destes, 65% foram destinados a atividades de transporte, dentre as quais o Rodoviário (carga e passageiros) participa com 96%. Para encontrar a participação específica do TRC, utilizei a correlação das frotas de caminhões e ônibus em operação no país, segundo a estimativa da ANFAVEA (2,1 milhões de caminhões e 640 mil ônibus), o que nos leva a uma participação de 76,6% de caminhões no total dos veículos movidos a diesel, logo a um consumo de cerca de 28,6 bilhões de litros de diesel por ano, o que, aos preços de 2014, indica um gasto anual com combustível de cerca de R$ 85 bilhões.
Temos, assim, a ordem de grandeza do gasto anual dos dois principais itens de custo do TRC, com uma participação estimada em 60% do total. A partir disso, através de uma simples regra de três, conclui-se que a receita bruta do setor, mesmo operando a preço de custo, não pode ser inferior a R$ 370 bilhões/ano, o que equivale a cerca de 6,7% do PIB de 2014 (R$ 5,521 trilhões, segundo o IBGE).
Enquanto não tivermos um número mais preciso, com a implantação dos já referidos CTe e MDFe, e dos tags nos caminhões, esta parece ser uma estimativa sólida e veraz: 5,6 milhões de empregos (diretos e indiretos) e 6,7% do PIB. Fico com ela, até prova em contrário. Até porque, estudos da Fundação Dom Cabral e do ILOS, por caminhos diferentes, chegaram a números bem semelhantes.
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